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Marcos Antonio Manfredini
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ARTIGOS E NOTÍCIAS SOBRE DEPENDÊNCIA QUÍMICA
O tema do Dia Mundial da Saúde, “Saúde para Todos”, levanta uma questão: estamos lidando corretamente com a discussão sobre a legalização das drogas?

Por Ronaldo Laranjeira

Hoje em dia é extremamente comum vermos a banalização do consumo de certas drogas, como o álcool ou a maconha, que inclusive está sendo legalizada em alguns países. Tal banalização não começou agora, vem se desenvolvendo há anos e, sem dúvidas, gera uma série de consequências para a sociedade e, principalmente, para o usuário. Porém, quais seriam elas?

Este é um cenário que diversos especialistas no mundo inteiro buscam entender. No caso da maconha, um grupo deles, liderados pela pesquisadora Yvonne Terry-McElrath,da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, analisou padrões de consumo de aproximadamente 10.000 usuários de cannabis, participantes do estudo “Monitorando o Futuro”, do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos Estados Unidos. Estes usuários relataram suas experiências com drogas dos 18 aos 50 anos, a partir de 1976.

Consequências do uso de maconha

A principal conclusão a que chegaram é que o uso de maconha está relacionado ao desenvolvimento de problemas de saúde no decorrer da vida, em comparação com quem não consome a droga. Os pesquisadores identificaram duas categorias principais de usuários: uso moderado (71% dos participantes) e uso abusivo (29%). Estas categorias resultaram em um total de seis subdivisões, que vão do “uso decrescente ou interrompido aos 21/22 anos” até “uso abusivo e contínuo aos 50 anos”.

Com os dados em mãos, os estudiosos concluíram que todos os padrões de uso estavam associados com atendimentos psiquiátricos recentes ou problemas psiquiátricos até os 50 anos. Além disso, os resultados indicaram que os padrões de uso persistentes estavam relacionados a dificuldades cognitivas dos usuários, doenças físicas e problemas com uso de álcool até os 50 anos.

Os pesquisadores indicam que, apesar de não ser possível afirmar que a maconha necessariamente seja a causa dos problemas de saúde dos usuários, existe uma correlação com o fato, pois, dentre os participantes, os que fizeram uso persistente da droga reportaram níveis maiores de problemas de saúde. Tais dados permaneceram mesmo após a aplicação de controles demográficos e de características comportamentais.

O que é importante notarmos é que esse estudo compreende períodos que contavam com políticas de proibição ao consumo de drogas. Imagine agora o quadro com o consumo de mais substâncias sendo liberado, como está acontecendo em diversos estados americanos com a cannabis? Com certeza nesses locais existe o risco do consumo de maconha tornar-se similar ao de álcool, por exemplo, trazendo consigo todas as consequências negativas tão conhecidas pela sociedade e também pela medicina.

Estes e outros estudos nos fazem questionar se a atual corrente em busca da legalização das drogas lida com a questão do uso de substâncias psicoativas da forma correta. Não apenas da maconha, do álcool também. Tal pergunta deve ser feita, afinal, o tema do Dia Mundial da Saúde (07/04) deste ano foi “Saúde para todas e todos. Em todos os lugares”.

A promoção de saúde não é apenas a oferta de tratamento – ela passa pela prevenção também. Ao defenderem a legalização de mais uma droga, os representantes de governos estão realmente ofertando “saúde para todas e todos”? Não estariam eles ignorando o exemplo do tabaco e do álcool, substâncias legalizadas que provocam dependência química, transtornos mentais e físicos? Os prejuízos causados apenas por estas duas drogas à vida dos usuários e também ao sistema de saúde pública são monumentais!

Existem inúmeros exemplos de como lidar com o assunto realmente em prol da saúde da população. Recentemente falei aqui no blog sobre o exemplo dado ao mundo pela Islândia, mas não precisamos ir tão longe. Em São Paulo,temos a primeira rede estadual de tratamento de dependentes químicos do Brasil, o Programa Recomeço, que busca lidar com a questão da dependência química em diversas frentes,com mais de 3 mil vagas disponíveis de maneira totalmente gratuita à população.

O tema do Dia Mundial da Saúde de 2018 é muito pertinente quando pensamos nestes assuntos. O papel dos governantes e também de nós,especialistas em saúde, é garantir que a promoção de saúde, prevenção e tratamento cheguem a todos. Para isso, é preciso questionar: o que realmente atende aos interesses do país e de seus habitantes? Dependendo da resposta, não há mal algum em corrigir o rumo, buscando o melhor para todos.

Ronaldo Laranjeira
Psiquiatra e professor titular de psiquiatria da Unifesp, coordenador do Programa Recomeço, do governo do Estado de São Paulo, presidente da SPDM - Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina

Fonte: UNIAD - 20/05/2018

Maconha pode aliviar estresse e ansiedade, mas piorar depressão com o tempo

O uso periódico de maconha pode reduzir significativamente os níveis de ansiedade e de estresse no curto prazo, mas contribuir para piorar sensações associadas à depressão ao longo do tempo. Essa foi a conclusão de estudo realizado pela Washington State University (EUA). Autores pontuam que o estudo é um dos poucos feitos com usuários que utilizam a maconha em casa.

A possibilidade desse desenho de estudo se deve à adoção de leis menos proibicionistas nos Estados Unidos em relação à maconha medicinal -- antes, a maioria dos efeitos da erva no humor eram medidos em ambiente controlado com comprimidos de THC (tetrahidrocanabinol), uma das principais substâncias presentes na erva.

Atualmente, 32 estados nos Estados Unidos possuem algum tipo de lei que regulamenta o uso da maconha para fins medicinais.

"O que é único sobre o nosso estudo é que analisamos a cannabis inalada por pacientes de maconha medicinal que usam a erva no conforto de suas próprias casas", diz Carrie Cuttler, professora-assistente de psicologia na Washington State University e principal autora do estudo, em nota.

A pesquisa também foi publicada no "Journal of Affective Disorders" na quinta-feira (19), um dia antes do dia 20 de abril, data comumente associada ao consumo da erva.

O desenho do estudo também permitiu que fossem analisados diferentes tipos de maconha. Isso porque os efeitos da erva podem variar a depender das concentrações de cada substância presente em sua composição.

A diferença mais conhecida entre os componentes da droga se dá entre dois compostos: o CBD (canabidiol) e o THC (tetrahidrocanabinol). Estudos realizados na USP de Ribeirão Preto, por exemplo, mostraram que os compostos interagem entre si (o CBD acaba modulando os efeitos do THC, composto tido como o mais responsável pelos efeitos psicoativos da planta).

Levando essa diferença em consideração, os cientistas chegaram às seguintes conclusões:

1. Cannabis rica em CBD e baixa em THC pode reduzir sintomas da depressão no curto prazo;
2. Duas baforadas de qualquer tipo de cannabis reduzem os sintomas de ansiedade;
3. Dez ou mais baforadas de cannabis com altas concentrações de CBD e THC produziram as maiores reduções no estresse;
4. O uso de cannabis para o tratamento da depressão pode piorar os sintomas ao longo do tempo.

"Muitos consumidores acreditam que mais THC é sempre melhor", disse Cuttler. "Nosso estudo mostra que o CBD também é um ingrediente muito importante na cannabis e pode aumentar alguns dos efeitos positivos do THC", diz.

Pesquisadores também descobriram que, enquanto ambos os sexos relataram reduções do estresse e ansiedade, mulheres relataram uma redução significativamente maior na ansiedade após o uso de cannabis.

Os dados do estudo foram retirados do aplicativo Strainprint. No app, usuários de cannabis medicinal dão uma nota aos diferentes tipos da planta. Usuários também avaliam os seus sintomas (1-10) antes e depois de consumirem a droga. Para o estudo, pesquisadores analisaram 12.000 entradas de usuários no aplicativo.

Na análise, pesquisadores observaram uma redução de 58% no estresse e na ansiedade logo após o uso. Imediatamente após o consumo, também foi registrada uma redução de 50% na depressão. Ao longo do tempo, no entanto, os sintomas da depressão pioraram, enquanto os efeitos positivos sobre o estresse e a ansiedade permaneceram.

Por que o dia 20 de abril é associado à maconha?

Tanto o dia 20 de abril quanto o horário (16h20) são mundialmente conhecidos por remeter ao consumo da cannabis sativa.

A origem do termo remete ao ano de 1971, quando adolescentes do Ensino Médio na Califórnia costumavam se encontrar nesse horário para o consumo da erva.

O "4:20" virou uma espécie de senha para o encontro, que passou a ser disseminado nos Estados Unidos. Mas a popularidade veio mesmo quando o termo passou a ser adotado por uma banda de rock californiada: os Grateful Dead.

Fonte: BBC

O estudo apontou dados da literatura em que 72% dos usuários de cannabis usam a erva para relaxar e aliviar a tensão. Um outro dado recente mostrou que em torno de metade dos usuários usam a droga para manejar sintomas da depressão.

Autores também apontam que os dados sobre o uso de cannabis têm divergido ao longo do tempo. Uma pesquisa de 2008 com pacientes com fibromialgia mostrou que o uso de um tipo de canabinoide sintético não teve efeito sobre a depressão. Muitos dos resultados divergentes, apontam os autores, se deve às diferentes concentrações de CBD e THC presentes nas ervas.

Fonte: UNIAD - 11/05/2018

Drogas podem arruinar um coração. Quantas segundas chances um usuário deveria ter?

Abby Goodnough
TENNESSEE

As recordações de Jerika Whitefield sobre a infecção que quase a matou são nebulosas, excetuados alguns detalhes. Seus filhos pequenos a contemplando em um leito de hospital. Seu sogro ajudando-a a erguer os braços emaciados para abraçar um bebê. Seu murmúrio de apelo a uma enfermeira cética: "Por favor, não me deixe morrer. Prometo que não faço nunca mais".

Whitefield, 28, sofre de endocardite, uma infecção das válvulas cardíacas causada por bactérias que ingressaram em sua corrente sanguínea quando ela injetou metanfetamina em suas veias, certa manhã em 2016.

Os médicos salvaram sua vida por meio de uma cirurgia cardíaca, mas antes da operação fizeram uma advertência assustadora: caso ela continuasse a se drogar e viesse a sofrer nova infecção, eles não voltariam a operá-la.

Com o ressurgimento da metanfetamina e a persistente crise dos opiáceos, cada vez mais gente nos Estados Unidos vem sofrendo de endocardite causada pelo uso de drogas injetáveis —em muitos casos, se o uso de drogas injetáveis persistir, a infecção se repete diversas vezes.

Muitas dessas pessoas não têm planos de saúde, e o cuidado de que necessitam é dispendioso, intensivo, em tratamentos que muitas vezes duram meses. E isso coloca os médicos diante de um dilema ético espinhoso: será que existem circunstâncias que justifiquem não curar um coração?

"Em alguns casos, pacientes continuaram a usar drogas enquanto estavam internados no hospital", disse Thomas Pollard, veterano cirurgião cardiotorácico em Knoxville, Tennessee. "É como fazer um transplante de fígado em um paciente enquanto ele está bebendo um litro de vodca."

O problema aflige Pollard, um texano calmo que obteve registro como médico no Tennessee em 1996, pouco depois que o OxyContin, um medicamento opiáceo usado para aliviar a dor e alvo de frequentes abusos, chegou ao mercado.

O cirurgião viu uma explosão de casos de endocardite, especialmente entre drogados jovens e de baixa renda, cujos corações podiam ser salvos mas cujos vícios passam sem tratamento, em um sistema médico que raramente assume a responsabilidade por essa tarefa.

Alguns dos casos ainda lhe despertam lembranças amargas. Pouco mais de um ano atrás, ele substituiu as válvulas cardíacas de um jovem de 25 anos que contraiu endocardite ao usar drogas injetáveis. Meses depois, o paciente estava de volta ao hospital, pelo mesmo motivo.

Na segunda passagem, duas válvulas, entre as quais a que ele havia recebido na primeira cirurgia, apresentavam infecção séria, e seu exame de urina revelou traços de drogas ilícitas. Pollard se recusou a operar pela segunda vez, e o paciente morreu algum tempo depois em uma clínica para pacientes terminais.

"Foi uma das coisas mais difíceis que já tive de fazer", disse o médico.

Com a multiplicação de casos semelhantes nos Estados Unidos, médicos que no passado costumavam encontrar casos de endocardite apenas raramente em pacientes usuários de drogas injetáveis, agora estão ávidos por orientação.

Um estudo recente constatou que, em dois hospitais de Boston, apenas 7% dos pacientes de endocardite usuários de drogas injetáveis sobreviveram por 10 anos sem novas infecções ou outras complicações, ante 41% dos pacientes que não eram usuários de drogas injetáveis. Os dois hospitais são parte de um pequeno grupo de instituições que estão tentando agir de forma mais pró-ativa quanto ao problema.

Pollard vem conduzindo uma campanha nos sistemas hospitalares de Knoxville, para que ofereçam tratamento de combate ao vício aos pacientes de endocardite interessados em fazê-lo, pelo menos em base de teste depois da cirurgia.

O arrazoado dele é que, se os hospitais oferecerem o tratamento, os médicos terão mais justificativa para rejeitar pacientes que os recusem, e com isso, em longo prazo, os hospitais economizarão dinheiro.

O vício em drogas é um problema antigo na região rural do oeste do Tennessee, onde as colinas e montanhas abrigam cidadezinhas que sofrem com a pobreza e a saúde precária. A proporção de opiáceos receitados continua a ser preocupantemente alta, e o número de mortes por overdose no condado de Roane, onde Whitefield vive, é três vezes superior à média nacional. Há vagas de trabalho em aberto na região porque os candidatos muitas vezes não conseguem passar nos testes de drogas, dizem empregadores.

No Tennessee, cerca de 163 mil adultos de baixa renda continuam a não contar com planos de saúde, depois que os legisladores estaduais se recusaram a expandir o programa federal Medicaid no estado, nos termos da Lei de Acesso à Saúde (Obamacare).

Para eles, e até mesmo para muita gente coberta pelo Medicaid, como é o caso de Whitefield, o tratamento para vício em opiáceos continua escasso. O mais comum é que pacientes tenham de recorrer a clínicas pagas ou a programas baseados na abstinência, que dependem da força de vontade, e não de medicamentos que combatem o vício e se provaram mais efetivos.

O tratamento da endocardite em geral envolve até seis semanas de antibióticos aplicados de modo intravenoso, muitas vezes em um hospital, porque os médicos hesitam em mandar pacientes viciados para casa com sondas instaladas nos braços, por medo de que as usem para injetar drogas, disse Pollard.

Muitos, como Whitefield, também precisam de cirurgias complicadas para reparar ou substituir válvulas cardíacas danificadas. O custo do tratamento pode facilmente superar os US$ 150 mil (cerca de R$ 450 mil), segundo Pollard.

A orientação de organizações especializadas como a Associação Americana de Medicina Torácica e o Colégio Americano de Cardiologia sobre quando operar é pouco precisa.

Por enquanto, "tudo funciona na base da conversa —os cirurgiões falam uns com os outros para tentar determinar quando devemos e quando não devemos operar", disse o médico Carlo Martinez, um dos parceiros de Pollard na cirurgia de Whitefield, realizada no Centro Médico Metodista em Oak Ridge.

O hospital em que trabalham, parte do grupo Covenant Health, quase sempre opera pacientes que estejam sofrendo seu primeiro caso de endocardite causada por drogas injetáveis, disse Pollard.

Mas infecções repetidas, nas quais os danos podem ser mais extensos e difíceis de reparar, são um problema mais complicado. Mark Browne, vice-presidente sênior e diretor médico da Covenant, disse que "cada paciente é avaliado individualmente, e decisões quanto ao tratamento específico são tomadas pelo médico responsável".

CONTAMINAÇÃO E DESDÉM

Nos quase dois anos passados desde que adoeceu, Whitefield se sentiu fisicamente diminuída, e mais propensa a enfermidades. Ela também considera que o sistema médico que salvou sua vida muitas vezes a trata com aspereza, suspeita e desdém.

Ao longo do mesmo período, Pollard vem se desiludindo cada vez mais com os hospitais que consideram que tratar vícios não é sua responsabilidade, e se sente incomodado com a forte probabilidade de que muitos de seus pacientes viciados em drogas morrerão jovens, quer recebam ou não cirurgia cardíaca.

Ele criou um grupo de trabalho em 2016 para tratar do problema, mas enfrentou obstáculos, especialmente quanto ao custo e, em sua opinião, pela relutância da sociedade em gastar dinheiro com pessoas que usam drogas abusivamente.

"Todo mundo simpatiza com os bebês e crianças", ele disse. "Ninguém quer ajudar o adulto viciado porque a ideia é de que ele é o culpado por seus problemas."

Whitefield, uma jovem prolixa e com olhos inquietos, é conhecida pelo apelido Shae. Ela começou a usar opiáceos quando era adolescente e sofria de endometriose, uma doença do tecido uterino, e de cistite intersticial, uma dolorosa doença na bexiga. Ela recebeu receitas para opiáceos de médicos, por muitos anos, e depois passou a obtê-los de seus amigos.

Ela e Chris Bunch, com quem ela namorava desde o segundo grau, já tinham três filhos quando ela chegou aos 26 anos. Whitefield estudou para ser assistente de enfermagem mas teve de deixar a escola quando seu filho mais velho, Jayden, adoeceu gravemente, ainda bebê. A família vive em uma cidadezinha que Bunch, hoje marido de Whitefield, descreve como "country, country, country".

Em 2015, depois do nascimento de sua filha Kyzia, Whitefield desenvolveu uma forte depressão pós-parto. Ela se preocupava obsessivamente em proteger Kyzia contra abuso sexual e outros traumas que havia sofrido na infância.

Começou a injetar pílulas de opiáceos dissolvidas e ocasionalmente metanfetamina, curtindo o ardor da agulha —no passado, ela costumava se cortar para buscar alívio de suas dores emocionais— tanto ou mais do que curtia o efeito da droga.

Depois de usar a mesma seringa que um de seus irmãos, naquele dia em junho de 2016, Whitefield começou a tremer e suar. Logo desenvolveu uma febre, e passou quase uma semana deitada no sofá, achando que estava sofrendo de uma infecção renal. Quando Jayden, que então tinha oito anos, pediu ao padrasto de Whitefield que chamasse uma ambulância, ela estava delirando.

Whitefield chegou ao Centro Médico Metodista de Oak Ridge sofrendo de septicemia aguda, e não conseguia se manter consciente. Seus órgãos estavam falhando.

Em casa, ela havia passado dias olhando para uma foto na parede, que mostrava sua avó sorrindo levemente, e isso a reconfortou por muito tempo. Quando a primeira enfermeira se inclinou sobre ela no pronto-socorro, ela imaginou ter sentido o cheiro do perfume de sua avó.

Seu padrasto, Brian Mignogna, recorda ter ficado chocado quando o primeiro médico que a avaliou disse que, se dependesse dele, não se esforçaria muito por salvá-la.

"Ele disse que quando uma pessoa começava a se injetar, não adiantava gastar todo aquele dinheiro com a cirurgia porque ela logo voltaria a se drogar, e por isso não valia a pena tratá-la", recorda Mignogna. "Fiquei atônito."

No entanto, alguns dias mais tarde, Martinez era o cirurgião cardíaco de plantão, e ele estava muito disposto a assumir o caso de Whitefield. Os filhos e o padrasto dela não saíam de seu lado e, ao contrário de outros pacientes a quem ele atendeu, ela admitiu prontamente que usava drogas. Martinez acreditou quando Whitefield disse que usava drogas injetáveis há pouco tempo, e que queria parar.

"Ela era mãe de filhos pequenos, e sua família estava envolvida. Seu pai estava lá", ele disse. "Para mim, ela parecia contar com o apoio social de que um paciente precisa para se recuperar daquilo."

Whitefield também tinha cobertura médica, via Medicaid, um programa de saúde governamental para pessoas de baixa renda, por ser mãe de crianças pequenas. O Medicaid cobriu os custos de seu tratamento. Se ela não contasse com o programa, o hospital teria de arcar com o custo.

Antibióticos curaram a infecção que resultou em sua internação, mas ela precisou de cirurgia, dois meses depois. Sua válvula mitral estava tão danificada que Whitefield começou a mostrar sinais de falência cardíaca. Martinez expressou compaixão, mas enfatizou que a cirurgia seria "a oportunidade final", recordou Mignogna.

"A forma pela qual ele explicou foi que, se ela voltasse a usar drogas e se infectasse de novo, não receberia um novo tratamento", disse Mignogna.

Martinez reparou a válvula mitral de Whitefield em uma cirurgia de três horas. Teve de abrir sua caixa torácica, conectá-la a uma máquina de circulação extracorpórea para manter o sangue fluindo por seu corpo, e em seguida parar seu coração e reparar a válvula. Ele reforçou a válvula com um pequeno anel plástico, antes de recolocar o coração em funcionamento e fechar a incisão.

Whitefield tinha escrito um bilhete para cada um dos filhos —o sábio Jayden, o gentil Elijah e a voluntariosa Kyzia—, caso não sobrevivesse. Duas semanas depois, ela havia se recuperado o suficiente para ter alta.

Em seguida, começou a se tratar com um terapeuta em um clínica não associada ao hospital, e a tomar buprenorfina, um medicamento que diminui o desejo por opiáceos e reduz o risco de reincidência e de uma overdose fatal.

Whitefield passou por momentos em que sentiu muita necessidade de drogas, depois da cirurgia, mas diz que não voltou a usá-las, traumatizada pela lembrança de seu sofrimento.

"Sei que da próxima vez Deus pode não me salvar", ela disse, em voz baixa. "Não serei tratada pela segunda vez se apresentar marcas de agulhas ou qualquer coisa assim."

Durante sua recuperação, ela começou a pensar em voltar aos estudos, para se tornar conselheira no tratamento de viciados em álcool e drogas, ou corretora de imóveis, ou as duas coisas.

Whitefield também começou a servir como uma espécie de ativista em defesa de outras pessoas em situação semelhante à sua, vítimas de endocardite ou outras infecções causadas pelo uso de drogas injetáveis.

Ela as leva ao hospital, e as instrui detalhadamente quanto ao protocolo que a salvou. Whitefield se irrita diante da ideia de oferecer apenas tratamento de conforto —antibióticos mas não cirurgia— quando um paciente recusa tratamento para seus vícios.

"Quando é que você deixa de querer salvar uma vida?", ela questionou. "Se você tem essa capacidade, quem pode dizer que não deve usá-la? Entendo o ponto de vista deles —não querer repetir o mesmo jogo. Mas é difícil, sabe? Não é uma doença da qual seja fácil se afastar."

Pollard, um médico determinado, orador de formatura de sua escola de segundo grau, costumava não sentir empatia pelos pacientes viciados em drogas.

"Eu era como todo mundo mais: eles é que causam seus problemas, e merecem o que que lhes acontece", disse. "Mas quando você vê os filhos dessas pessoas, e ouve falar de amigos de escola de seus filhos que terminaram morrendo desse jeito, você encara as coisas mais de perto."

PLANO

Quando se tornou presidente da Academia de Medicina de Knoxville, em 2015, Pollard propôs a ideia de os hospitais da cidade se associarem para oferecer aos pacientes de endocardite tratamento para seus vícios. Ele imaginou que estava na posição perfeita para isso.

Assim, no ano seguinte, criou um grupo de trabalho que incluía representantes de todos os grupos de hospitais da cidade —o seu, Covenant Health; o Instituto Médico da Universidade do Tennessee; e o Tennova Healthcare— e de dois centros de tratamentos de drogas e algumas organizações comunitárias.

Em uma reunião do grupo de trabalho em agosto do ano passado, cerca de um ano depois da cirurgia de Whitefield, Pollard fez uma apresentação em PowerPoint preparada por uma enfermeira pesquisadora.

De 2014 a 2016, os três sistemas hospitalares de Knoxville haviam oferecido cirurgias de válvulas cardíacas a 117 pacientes que desenvolveram endocardite depois de usar drogas injetáveis. Dez deles passaram por uma segunda cirurgia por terem se reinfectado. Destes, dois passaram por uma terceira cirurgia.

Pouco mais da metade dos pacientes não dispunham de plano de saúde, e apenas 1% deles recorreram a planos de saúde privados. Com base na apresentação, era impossível determinar se algum paciente reinfectado havia sido rejeitado pelos médicos. Pelo menos 21 pessoas —18% do total— morreram depois da cirurgia cardíaca, tipicamente de septicemia ou parada respiratória, o que Pollard diz indicar reinfecção.

O grupo discutiu uma proposta feita por Pollard ao Cornerstone for Recovery, um centro de tratamento de vícios na cidade, para a admissão de alguns pacientes de endocardite assim que recebessem alta hospitalar.

O centro ofereceria alguns meses de internação para tratamento e até um ano de Vivitrol, um medicamento cuja dose mensal custa US$ 1 mil (pouco mais de R$ 3.000); o medicamento reprime o desejo por drogas e ajuda a prevenir reincidência.

A buprenorfina, o medicamento que Whitefield usa, é menos cara. Mas o Cornerstone não o oferece porque é um opiáceo, e "significa trocar um por outro", disse Webster Bailey, diretor executivo de marketing do centro.

Muitos especialistas no tratamento de vícios definem essa posição como altamente incorreta. Eles afirmam que o medicamento é muito mais fraco do que drogas como a oxicodona e a heroína, ativando os receptores de opiáceos do cérebro o bastante para evitar anseios por drogas mas não o suficiente para causar barato às pessoas já dependentes de opiáceos.

Os pacientes teriam de assinar um acordo declarando que se voltassem a usar drogas depois do tratamento, não seriam considerados como candidatos a futuras cirurgias cardíacas. O custo total por paciente seria de US$ 55 mil (cerca R$ 181 mil) e Pollard espera que o governo e verbas privadas ajudem a cobrir os custos se o programa for expandido.

"Isso deveria ser parte do tratamento, da mesma forma que os antibióticos", ele disse ao grupo.

Um cirurgião do Tennova apontou, sucintamente, que "nem todo mundo no grupo vai dizer que isso funciona e que vai participar".

Mas o grupo decidiu que Pollard deveria conduzir o projeto à sua próxima etapa, apresentando a proposta aos presidentes-executivos dos três sistemas hospitalares.

"Somos todos concorrentes, mas esse é um inimigo comum que une a todos", ele disse depois da reunião. "Precisamos de uma norma comum."

Por volta do segundo trimestre, disse Pollard, ele conseguiu persuadir a Covenant Health a pagar pelos tratamentos contra o vício para cinco pacientes de endocardite, ao final de suas internações hospitalares —se os concorrentes aceitassem fazer o mesmo. Mas Browne, o diretor médico da Covenant, não confirmou a decisão, em uma resposta por escrito, afirmando que "devido ao alto custo dos tratamentos residenciais e externos, não surgiu um compromisso de seguir adiante com o plano".

Jerry Epps, diretor médico do Centro Médico da Universidade do Tennessee, disse em entrevista que a proposta era uma pedida pesada, acrescentando que os hospitais já arcam com grande parte da carga financeira associada a essa população de pacientes.

O hospital dele está tão sobrecarregado de pacientes viciados que continuam a usar ou buscar drogas ilícitas durante seus tratamentos, disse Epps, que agora requer que pacientes infectados por conta do uso de drogas injetáveis entreguem seus celulares ao hospital e não recebam visitas durante a primeira semana de sua internação. (O hospital tratou 284 pacientes de endocardite e infecções ósseas e de tecidos causados pelo uso de drogas injetáveis, de agosto à metade de abril.) A Covenant Health adotou política semelhante, disse Brown.

Pollard não estará lá para ver se o seu projeto chegará a uma conclusão positiva. O último de seus filhos já terminou a universidade, e ele e a mulher decidiram se mudar para San Antonio, onde ele já mencionou sua ideia aos novos colegas. Depois de 22 anos em Knoxville, eles se mudarão no mês que vem.

“De certo modo me sinto decepcionado", ele disse, sobre a falta de progresso. "Mas houve avanços e creio que algo acontecerá, provavelmente este ano."

"Se conseguirmos concluir o estudo piloto, as pessoas começarão a prestar atenção", afirmou.

Whitefield saiu de casa certa manhã, no terceiro trimestre do ano passado, e passou de carro por uma igreja na qual se vê um cartaz com os dizeres "Jesus cura corações partidos". Ela estava a caminho de uma visita a Jennifer Stringfield, gerente do consultório de Pollard que se tornou uma espécie de mentora para ela depois da cirurgia.

Whitefield estava irritada por se sentir cansada o tempo todo: com os julgamentos ásperos que sentia receber da parte de quase todos os médicos e enfermeiras que encontrava, quanto ao número de pessoas que conheceu e morreram de endocardite —em sua opinião, desnecessariamente.

"Conheci uma garota, ela estava sofrendo com a infecção por dois ou três dias antes de eu levá-la ao hospital", disse Whitefield, enquanto Stringfield a reconfortava, acariciando seu braço. "O caso dela nem de longe era tão grave quanto o meu. Os médicos ministraram antibióticos a ela por 12 horas e disseram que a medicação não estava funcionando. Suspenderam o tratamento; ela ficou recebendo apenas tratamento contra a dor, e sobreviveu por quase duas semanas".

"Talvez houvesse razões que você desconhece", disse Stringfield, suavemente. "Creio que a maioria dos médicos batalha para que todos vocês vivam. Acredito mesmo nisso."

Stringfield visita Whitefield de vez em quando, e a atende quando ela liga para desabafar, ou quando ela começa a pensar em se drogar.

Whitefield diz que conversam "sobre as crianças ou algo assim, e ela me ajuda a passar por aqueles 15 minutos".

Ela considera Stringfield uma raridade —uma pessoa da área médica que não a julga por conta de seu vício. Isso talvez aconteça porque Stringfield tem parentes —um primo, um tio e seu padrasto— que passaram pelo mesmo problema.

"Pode acontecer a qualquer um", disse Stringfield. "Não importa como você foi criado."

A filha de Whitefield estava irrequieta em seu colo, e por isso ela abraçou Stringfield para se despedir.

"Também amo você", disse Stringfield. "Me liga."

Certa manhã recente, Whitefield estava esperando ansiosamente por uma consulta com seu cardiologista, Larry Justice, sobre os resultados de exames que havia realizado no mês anterior. Em seu peito, a cicatriz rosada da cirurgia se estendia do V de seu decote ao centro das clavículas.

Ela informou a enfermeira sobre seus problemas recentes: fraqueza, dores ocasionais no peito, insônia, frio constante. Também estava preocupada com a hepatite C —outro problema frequente entre as pessoas que usam drogas injetáveis. Whitefield não havia conseguido tratamento para sua hepatite.

"Não tenho um clínico que centralize o tratamento", ela disse. "Ninguém quer me atender por causa do meu histórico com drogas."

Justice chegou trazendo boas notícias: não havia sinais de endocardite em seu sangue e a válvula mitral reparada estava funcionando bem. Mas um dos resultados parecia perturbador.

Uma das outras válvulas está mostrando um grande vazamento, disse o médico, acrescentando que não poderia garantir que a mulher não vá precisar de uma nova cirurgia de válvula.

Whitefield olhou para o médico, atônita.

"A endocardite causa em seu corpo a inflamação mais intensa que você pode imaginar", disse Justice.

"Só quero viver para ver meus filhos se tornarem adultos", ela disse, com a voz embargada.

Nas circunstâncias, Whitefield não veria recusado o pedido de uma segunda cirurgia. Mas tinha muito medo de fazê-la. Poucos dias antes, ao cortar a perna quando estava limpando a garagem, ela ficou em pânico com a possibilidade de que bactérias voltassem a infectar seu coração.

"Não quero que você sinta que só vai receber notícias ruins", disse Justice, definindo Whitefield como quase miraculosa por ter resistido à tentação de se drogar, desde a cirurgia.

Mas ela nem pareceu ter ouvido o elogio.

Em casa, Whitefield ficou chorando silenciosamente, enquanto sua filha e duas outras crianças, filhas de um visitante, perambulavam na penumbra.

Do outro lado da janela, traços esparsos de nuvens coroavam as montanhas. Whitefield estava muito ansiosa. Será que devia contar aos filhos, que já se preocupam demais com ela? Ou buscar uma segunda opinião?

"Antes de tudo vou chamar meu conselheiro", ela murmurou. "E certamente vou escrever meu testamento, preparar tudo."

O carro usado que ela comprou, um Saturn 2008, estava quebrado, e ela não tinha dinheiro para o conserto. O marido de Whitefield havia dado um mau jeito nas costas na noite anterior e a dor era tanta que ele estava na cama, vomitando.

Mas Justice pelo menos a encaminhou a um especialista em problemas gastrointestinais, para que pudesse tratar sua hepatite. E Whitefield estava trabalhando com seu conselheiro em formas saudáveis de lidar com o estresse, como manter um diário e tomar banhos quentes. Há semanas ela não sentia vontade de se drogar.

"Estou tentando pensar em maneiras de encontrar mais esperança", ela disse. Da parede, a foto de sua avó a encarava com um olhar compassivo.

Fonte: Folha - 04/05/2018

Suicídio: uma falsa “epidemia silenciosa”

Camila Appel

A cada 40 segundos, uma pessoa se mata no mundo. Isso é mais do que guerra e homicídios juntos. No Brasil, a taxa de homicídios é maior, mas o número não deixa de ser assustador: são 32 casos por dia. Apesar de ser chamada de “epidemia silenciosa”, há informações disponíveis que são muito úteis para prevenção. Precisam ser divulgadas e colocadas em prática.

Listei algumas informações abaixo. Há informações novas e outras resgatadas de posts anteriores. São sinais de alertas, mitos, orientações para familiares, amigos e psiquiatras. Espero que sejam úteis.

CARTILHA DA OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem uma cartilha sobre o aconselhamento do suicídio com algumas recomendações. Ela pode ser acessada aqui. Há um capítulo muito importante sobre crianças e adolescentes. Destaco o parágrafo abaixo.

“O aconselhamento é apropriado para todas as crianças e adolescentes com comportamentos suicidas e deve focar-se no tratamento cognitivo comportamental, com ênfase na capacidade para enfrentar problemas. Os objectivos do aconselhamento eficaz podem incluir uma melhor compreensão de si mesmo, identificar sentimentos conflituosos, melhorar a auto-estima, mudar comportamentos desadaptativos, aprender a resolver conflitos, e a interagir mais eficazmente com os colegas. É provável que estudantes peçam ajuda a um amigo durante os estádios iniciais da ideação suicida. Treinar estudantes para que identifiquem colegas em risco de tal comportamento pode contribuir para que os estudantes recebam o auxílio de que necessitam. Os programas de aconselhamento por colegas têm-se revelado de grande ajuda para aumentar o conhecimento que os estudantes têm sobre factores de risco do suicídio, e de como entrar em contacto com uma linha telefónica de emergência ou centro de crise, e como encaminhar um amigo para um conselheiro. Os estudantes necessitam de um foro onde possam receber informação, fazer perguntas e aprender como ajudarem os seus amigos e a si mesmos com as suas preocupações suicidas. Infelizmente, apenas 25% dos estudantes contarão a um adulto se um amigo tiver ideações suicidas. No entanto, apresentações cuidadosamente preparadas para a sala de aula, feitas por conselheiros, podem ajudar a aumentar essa taxa”.

MITOS

Segundo a cartilha “PREVENTING SUICIDE: A GLOBAL IMPERATIVE” – também da OMS (link aqui).

Mito: “Pessoas que falam sobre suicídio não estão falando sério”. Fato: pessoas que falam a respeito estão buscando ajuda e suporte. Um número significativo daqueles que contemplam o suicídio estão experienciando ansiedade, depressão e falta de esperança e podem sentir que não há outra alternativa.

Mito: “A maior parte dos suicídios acontece sem aviso prévio”. Fato: a maioria dos suicídios ocorre precedidos de sinais de alertas, sejam verbais ou comportamentais. Claro que alguns ocorrem sem avisos, mas é importante entender quais são os sinais e procurar por eles, como: ter tido uma tentativa prévia de suicídio, distúrbios mentais, perda financeira ou de emprego, dor crônica ou doença, falta de esperança (normalmente acompanhada de distúrbios mentais ou tentativas anteriores de suicídio), histórico familiar, abuso de álcool e outras substâncias, genética e fatores biológicos (como baixos níveis de serotonina, que são associados a pacientes com distúrbios de humor, esquizofrenia e distúrbios de personalidade).

Mito: “Alguém que é suicida está determinado a morrer”. Fato: pessoas com tendências suicidas são ambivalentes sobre viver ou morrer e o ato pode ocorrer por impulso. Acesso a apoio emocional na hora certa pode ser determinante para evitá-lo.

Mito: “Uma vez suicida, ele ou ela será para sempre um suicida em potencial”. Fato: muitas vezes a vontade de se matar é temporária e específica a uma situação. Pensamentos suicidas podem retornar, mas não são permanentes.

Mito: “Só pessoas com distúrbios mentais são suicidas”. Fato: o comportamento suicida indica uma profunda infelicidade, mas não é necessariamente fruto de um distúrbio mental. Muitas pessoas que vivem com doenças mentais não são afetadas por comportamentos suicidas e nem todos que tiram sua própria vida tinham esses tipos de distúrbios.

Mito: “Falar sobre suicídio é uma ideia ruim e pode ser interpretado como encorajamento”. Fato: devido ao tabu em torno do tema, muitas pessoas que estão contemplando o suicídio não sabem com quem falar a respeito. Ao invés de encorajar o comportamento, falar abertamente sobre isso pode dar outras opções ou um tempo para repensarem sua decisão, evitando o ato.

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), junto ao Conselho Federal de Medicina, disponibilizam a cartilha “Suicídio: informando para prevenir”. Em seu site, mencionam que 17% da população brasileira já pensou, em algum momento, em cometer o suicídio. A cartilha fala sobre como “abordar um paciente, explica de que forma as doenças mentais podem estar relacionadas ao suicídio, os fatores psicossociais e dados atualizados sobre o tema”.

Acreditam que desmistificar o suicídio seja fundamental para quebrar o preconceito que cerca o tema e ajudar a preveni-lo. Como a OMS, também listam alguns mitos. Um mito não mencionado pela OMS é o de que:

Mito: “o suicídio é uma decisão individual, já que cada um tem pleno direito a exercitar o seu livre arbítrio”. Fato: “suicidas estão passando quase invariavelmente por uma doença mental que altera, de forma radical, a sua percepção de realidade e interfere em seu livre arbítrio. O tratamento eficaz da doença mental é o pilar mais importante de prevenção do suicídio. Após o tratamento da doença mental, o desejo de se matar desaparece”.

ALERTAS

A cartilha da ABP indica que para uma prevenção, é necessário procurar fatores de risco, como: eventos adversos na infância e na adolescência, como abuso físico e sexual, histórico familiar e genética. A cartilha diz que “estudos de genética epidemiológica mostram que há componentes genéticos, assim como ambientais envolvidos”. Por exemplo: “O risco de suicídio aumenta entre aqueles que foram casados com alguém que se suicidou”.

A cartilha sugere a psiquiatras como abordar o paciente com desejo suicida e como identificar doenças mentais, como depressão, transtorno bipolar, transtorno relacionado ao uso de álcool e outras substâncias, esquizofrenia e transtorno de personalidade. Também ajuda a avaliar o risco real da pessoa cometer o suicídio.

A publicação americana de neurociência, Nature, lançou o artigo “A base molecular do cérebro suicida” (em tradução livre) analisando que há mudanças no sistema de neurotransmissores, mudanças inflamatórias e disfunção das células de glia no cérebro de quem está prestes a se matar.

O artigo da Nature defende que alguns fatores, como predisposição familiar, assim como adversidades no início da vida, aumentam o risco de suicídio na medida em que alteram as respostas do cérebro ao stress e a outros processos através de mudanças epigenéticas nos genes e na regulação da emoção e do comportamento.

A “American Foundation for Suicide Prevention” (uma organização americana voltada a prevenção do suicídio) diz que 90% das pessoas que cometem suicídio tem algum distúrbio mental. O mais comum é a depressão grave e outros distúrbios de humor, que podem levar ao suicídio se não forem diagnosticados corretamente ou recebido tratamento adequado. A organização aponta certas condições que podem ser consideradas riscos em potencial e divulga estudos comprovando análises post-mortem indicando diferenças biológicas no cérebro de quem cometeu suicídio.

Segundo essa organização, os sinais de alerta são: A pessoa falar sobre se matar, dizer não ter mais razão para viver, ou achar que é um fardo para os outros e falar sobre uma sensação de se sentir preso e sentir uma dor insuportável. Deve-se prestar atenção em mudanças bruscas de comportamento, especialmente relacionado a algum evento dolorido como perdas, notar se a pessoa aumentou o uso de álcool e drogas e passou a agir imprudentemente. Um sinal de alerta importante é a pessoa se isolar de familiares e amigos.

Na seção das perguntas mais frequentes do site da instituição, indicam que a melhor forma de agir quando vemos alguém considerando o ato, não é tentar convencê-lo a sair da situação com frases como: “você tem tanto para viver” ou “pensa em como isso vai machucar sua família”, mas sim mostrar empatia: “imagino como deve ser difícil para você estar se sentindo assim” e se colocar a disposição para ouvir.

GRUPOS DE APOIO

Saiba dos próximos eventos do CVV na página do Facebook da instituição.
O Vita Alere promove encontros também. Entenda o que é a posvenção do suicídio saiba sobre os próximos encontros aqui.

UM DEPOIMENTO

Eu já publiquei, aqui, a carta de Gabriel de Souza Cunha. Um estudante que sobreviveu a uma tentativa de suicídio. Achei importante retomar dois parágrafos dela. Parecem representar bem o que as cartilhas acima apontam. O depoimento foi escrito em terceira pessoa.

“A conclusão mais precisa e confiável que ele pode compartilhar após passar por tudo isso, aponta para a importância do diálogo e da compreensão. Como disse Goethe, “Falar é uma necessidade e ouvir é uma arte”. E muitas vezes não estamos preparados para dialogar e compreender o que se passa com o outro nem sequer para falar sobre aquilo que se passa com nós mesmos.

“Hoje ele pensa que não se pode crer que a depressão seja uma frescura, ou que a ansiedade seja falta do que fazer ou mesmo que o suicídio se dê por falta de religião. Também não acredita que há que se falar em drama ou tentativa de chamar atenção. Na realidade, o que ele entendeu é que esses estados tornam a pessoa desinteressada pela própria vida e a diminuição da autoestima pode levar a consequências devastadoras. Isso porque não apenas o indivíduo como também todos aqueles que convivem com ele são impactados pela dor e pelo sofrimento que esses distúrbios acarretam.

Por isso, é de extrema importância exercitar a nossa empatia e se abrir ao diálogo. Falar sobre a depressão, a ansiedade e tantos outros transtornos mentais é dar visibilidade para assuntos que são considerados um tabu. Ajudar a difundir essa discussão é essencial para diminuir o preconceito e encorajar a procura pelo tratamento. É essencial não se resignar diante de uma situação dessas. Mesmo que seja difícil, é preciso se abrir para alguém de confiança. É preciso compreender as nossas emoções. É fundamental contar com o apoio da ajuda médica especializada. Ele descobriu tudo isso com o tempo, fazendo daquele famigerado erro o seu maior acerto. Viu que não estava a sós nessa luta, e só a partir disso começou a entender a fluidez da vida e a descobrir a sua leveza. Tal como na simplicidade dos escritos de Tolstói, colocou em prática que “o segredo da felicidade não é fazer sempre o que se quer, mas querer sempre o que se faz”.

FACEBOOK

A central de ajuda do Facebook tem uma seção direcionada para “ajudar um amigo em necessidade”, estimulando usuários a relatarem ameaças de suicídios. Na “linha direta” ainda não há endereços ou telefones de ajuda no Brasil. Ao clicar em “tenho pensado em automutilação ou suicídio”, há recomendações como: fale com um amigo, procure uma linha de ajuda, saia, seja criativo, acalme seus sentidos, relaxe, mas ainda não há informações aplicadas à realidade brasileira – como uma lista de instituições nacionais que trabalham com prevenção e posvenção ao suicídio.

O Facebook, nos nos Estados Unidos, oferece uma ferramenta para que amigos de usuários reportem posts suspeitos – que indiquem uma tendência ao suicídio. Após analisar o pedido, uma equipe da empresa manda uma mensagem ao usuário em questão, contando que um amigo pensa que ele está passando por dificuldades e oferecendo canais de ajuda – ver uma seção de dicas e suporte ou falar com um amigo ou um profissional da área. Ainda não disponível em outros países.

A organização Samaritans chegou a lançar o aplicativo “Samaritans Radar” para alertar sobre usuários do Twitter com risco de se matar. O risco era medido por frases e palavras que indicassem a tendência, como “me odeio”, “cansado de estar sozinho”, “ajude-me” e “preciso falar com alguém”. O aplicativo foi cancelado nove dias após seu lançamento (novembro de 2014) devido a críticas sobre invasão de privacidade e facilitar que pessoas mal intencionadas tivessem acesso àqueles que estão em seu momento mais vulnerável.

Há diversos aplicativos internacionais gratuitos disponíveis para celular oferecendo informações – como mitos sobre o suicídio, sinais de alerta, como ajudar alguém em situação de risco, como ter uma conversa difícil, como ser um bom ouvinte… Mas eu não encontrei um aplicativo brasileiro nesse sentido.

POSVENÇÃO DO SUICÍDIO (UM LUTO DIFERENTE)

A psicóloga e psicoterapeuta Karen Scavacini é a primeira brasileira a levantar sua bandeira e se especializar nesse conceito, originalmente criado pelo psicólogo americano Edwin Shneidman (1918 – 2009).

Segundo ela, esse tipo de luto difere-se dos demais e deve ser tratado com a especificidade que merece. Ela diz que se o psicólogo não tiver treinamento sobre os componentes do luto por suicídio, poderá confundi-lo com depressão e não trabalhá-lo da forma mais correta. Ele seria diferente em sua intensidade, duração e no impacto que tem no sistema familiar. Há um sentimento de rejeição, de responsabilidade e de julgamento que não necessariamente ocorre nos outros lutos. A culpabilização da família e dos amigos, por não terem percebido sinais, por exemplo, é muito grande. E segundo Karen, nem sempre há sinais claros. É possível uma família ser pega completamente de surpresa. Muitos desses sinais só farão sentido depois da morte e podem ser indiretos, difíceis de codificar.

“A dor do luto não pode ser quantificada, mas o impacto da perda por suicídio é maior. É um tsunami devastador. A forma como a família vai lidar com esse luto será muito singular e vai depender de como ela se relaciona entre si e seu conceito sobre o suicídio”, afirma Karen. A proibição do tema, que acaba virando um segredo familiar, também prejudica sua compreensão. “Quanto mais proibido ele fica, mais difícil de as pessoas poderem dar um sentido, mesmo que próprio, para essa perda”.

O tratamento de posvenção também deve ser levado às escolas, para minimizar o trauma dos colegas daquele aluno que se matou e evitar o suicídio por imitação. Karen diz que é indicado falar a respeito com naturalidade, mas evitar romantizar o ocorrido ou dar detalhes desnecessários.

Ela diz acreditar que o suicídio tem aumentado em função da observação clínica que sua profissão lhe permite fazer. Além de receber mais pacientes com tendências suicidas em seu consultório, notou o aumento de mais enlutados em função dele também. Nos congressos, Karen pergunta a seus colegas se observam a mesma realidade e ela afirma que todos, inevitavelmente, confirmam que sim.

E por quê? Para ela, as pessoas não estão conseguindo lidar com suas frustrações e não veem esperança e saídas para os problemas que encontram. O aumento seria um reflexo da sociedade contemporânea – indivíduos mais solitários e com maior dificuldade de se relacionar, de ter uma rede de apoio real e física. “Os contatos estão mais superficiais e menos genuínos. As pessoas não se encontram mais pessoalmente. O encontro virtual muitas vezes é ilusório”, afirma Karen.

Segundo a psicóloga, as redes sociais podem ter aspectos negativos, por naturalmente propiciarem uma comparação da sua vida com a do outro e daí concluir-se que sua vida não é tão legal assim, e como consequência, sentirem-se mais isoladas e menos felizes do que o outro. O bullying seria altamente prejudicial e um desafio a ser controlado, já que adolescentes têm menos consciência dos desdobramentos de seus atos e a velocidade da internet não permite “voltar atrás”.

Ao mesmo tempo, Karen afirma que é possível encontrar uma boa fonte de apoio no mundo virtual. “Ele prejudica e, ao mesmo tempo, ajuda. Vai depender da forma como o enlutado se relaciona”, ela afirma.

Ela indica dois mitos que contribuem para o aumento de sua ocorrência.

1) “Quem fala não faz” – essa desqualificação do pedido de socorro não ajuda em nada. E é comum o suicida avisar antes de cometer o ato.

2) “Não deve se perguntar sobre o pensamento suicida” – esse mito parte do pressuposto de que não se deve perguntar para uma pessoa cronicamente deprimida, por exemplo, se ela pensa em se matar. É um mito prejudicial porque, na maioria das vezes, o que ela mais quer é falar a respeito, o que segundo Karen, é o melhor remédio para a prevenção. “O interesse genuíno e a empatia têm um efeito curativo”, afirma.

Fundadora do Instituto Vita Alere, Karen faz a mediação de um grupo de enlutados por suicídio que se reúne a cada dois meses. “A ideia principal do grupo é ser um local de pertencimento, para que o outro sinta-se acolhido e possa dividir sua história”, afirma Karen. Contar sobre o ocorrido funcionaria como uma catarse – descrever como aconteceu, qual foi o último momento com aquela pessoa, se viu sinais ou não e tirar dúvidas.

“A dor é tão profunda que às vezes as pessoas acham que estão enlouquecendo de dor. É muito comum haver problemas de sono e crises de choro durante o dia e pensam no suicídio o tempo inteiro. Encontrar pessoas que passam por isso é muito benéfico, assim como ver como lidaram com datas difíceis, como o Natal, o aniversário de um ano da perda, etc”, diz Karen.

Karen quer abrir um grupo de discussão para terapeutas que muitas vezes precisam falar sobre como lidar com essa questão com seus pacientes. “Quanto mais você puder falar, mais você consegue elaborar”, ela afirma.

Fonte: Blog Morte sem Tabu - Folha - 27/04/2018

Alcoolismo aumenta em 3 vezes chance de mal de Alzheimer

Ansiedade e depressão podem ser sinais de que a doença começa a se desenvolver; abuso do álcool e cigarro são fatores de risco.

A doença de Alzheimer é considerada o tipo de demência neurodegenerativa mais comum. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o problema afeta mais de 30 milhões de pessoas em todo o mundo.

Mais de 1 milhão de brasileiros vivem com a doença, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer. A maior parte ainda não tem diagnóstico.

O mal de Alzheimer é uma doença incurável, crônica e progressiva, que causa a morte de células cerebrais e leva à perda das funções cognitivas, como memória, orientação, atenção e linguagem.

Apesar de não ter cura, quando descoberta no início, o tratamento pode ajudar a retardar o avanço dos sintomas e garantir melhor qualidade de vida ao paciente e à família.

O neurologista Benito Damasceno, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, explica que, durante a fase precoce da doença, os medicamentos alcançam a eficácia máxima, diferentemente da fase mais avançada, quando já existem danos irreversíveis no cérebro.

A ciência ainda não conseguiu definir o que faz com que uma pessoa desenvolva a doença de Alzheimer. O que se sabe é que existem algumas lesões cerebrais comuns nos pacientes.

Entre essas lesões estão as placas senis, que são alterações microscópicas causadas pelos depósitos extracelulares de proteína beta-amilóide, que se acumula também dentro das próprias células nervosas do cérebro, os neurônios. Outra alteração é a agregação da proteína TAU, que forma emaranhados fibrilares dentro dos neurônios, causando, assim, a destruição dos microtúbulos que transportam substâncias nas fibras nervosas, o que leva à a falência dos neurônios. Existe ainda a redução do número de neurônios e das ligações entre eles, as sinapses.

Mesmo sem saber o que faz com que essas alterações aconteçam, especialistas concordam na existência de fatores de risco. O primeiro deles é o avanço da idade. O risco de uma pessoa desenvolver Alzheimer é maior depois dos 65 anos e dobra a cada cinco anos.

Outro fator importante é o familiar. Embora a doença não seja hereditária, pessoas que têm parentes com Alzheimer têm mais chances de desenvolver a doença. A herança genética é importante, principalmente, nos casos em que a doença começa a se manifestar antes dos 65 anos.

Existem, ainda, outros fatores que devem ser considerados como hipertensão arterial, diabetes, obesidade, tabagismo e lesões traumáticas do cérebro, aquelas que levaram à perda da consciência ou coma.

Alzheimer x ansiedade

Pessoas mais ansiosas têm chance maior de desenvolver a doença de Alzheimer. O neurologista explica que antes de aparecerem os primeiros sinais da demência, na fase chamada pré-clínica, a doença costuma causar leves dificuldades com tarefas cognitivas mais complexas e alterações afetivas, principalmente sintomas depressivos e ansiosos.

“Isto já tem sido demonstrado em estudos em idosos normais e indivíduos que têm alguma mutação genética da doença e, portanto, vão ter a doença, mas ainda estão normais”, afirma.

Um estudo desenvolvido por pesquisadores do Hospital Brigham and Women's, em Boston, nos Estados Unidos, e publicado no periódico The American Journal of Psychiatry, comprovou esta relação.

A equipe acompanhou 270 pessoas entre 62 e 90 anos por um período entre um e cinco anos e identificaram a relação entre a ansiedade e a proteína beta-amiloide, aquela que se acumula e forma as placas senis.

Os cientistas concluíram que, com o passar dos anos, o aumento desta proteína pode causar sintomas de ansiedade e depressão antes de apresentar os sintomas de demência característicos da doença de Alzheimer.

Embora a relação não seja uma novidade, é a primeira vez que ela é comprovada em um estudo científico feito a partir do acompanhamento médico de pessoas idosas sem a doença.

Damasceno explica que a relação entre a proteína beta-amiloide e os sintomas de depressão-ansiedade é indireta. "Existem pessoas idosas normais que têm esses depósitos e não têm depressão ou ansiedade e que nunca apresentam demência. É um fenômeno que faz parte também do envelhecimento normal do cérebro”.

Entretanto, quando esses depósitos são acompanhados por depósitos de proteína TAU dentro dos neurônios e por degeneração de neurônios da parte profunda do cérebro e no tronco cerebral, então aparecem sintomas afetivos como ansiedade, depressão e apatia. Com o passar do tempo, surgem também os sintomas cognitivos como déficit de atenção, memória e raciocínio.

“Em algumas pessoas idosas, pode predominar no início da doença a degeneração dessas regiões e, portanto, os sintomas afetivos mencionados, ou seja, em algumas pessoas, a ansiedade pode indicar o início da doença de Alzheimer".

A confirmação científica da tese pode ajudar no diagnóstico precoce da doença, um dos grandes desafios dos especialistas.

“É o que está sendo mais pesquisado atualmente, ou seja, como os sintomas neuropsiquiátricos do idoso podem anunciar o Alzheimer, antes de produzir os déficits cognitivos que caracterizam a doença”, destaca Damasceno.

Alzheimer x alcoolismo

Um outro estudo publicado em fevereiro deste ano na revista The Lancet Public Health por pesquisadores da Rede Interdisciplinar de Economia da Saúde da França mostrou que o consumo excessivo de bebidas alcóolicas eleva em até três vezes o risco de uma pessoa desenvolver algum tipo de demência, inclusive o mal de Alzheimer.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram mais de 1 milhão de pessoas adultas que passaram por hospitais franceses entre os anos de 2008 e 2013. Desses, quase 60 mil apresentavam sintomas de demência precoce. Entre eles, 13% eram alcóolatras e outros 39% costumavam consumir bebidas alcóolicas em diferentes níveis de frequência.

O neurologista explica que o álcool é um neurotóxico que provoca deficiência de vitamina B1, chamada de tiamina. Por isso, o uso abusivo pode causar lesão no cérebro ou em outras partes do sistema nervoso.

Desta forma, pode-se dizer que o alcoolismo intenso e insistente, além de levar à degeneração e atrofia cerebral, é um fator de risco a mais para a doença de Alzheimer.

Fonte: R7 - 20/04/2018

A ciência já provou: mau humor pode abalar sua saúde e até tratamentos

Se você é do tipo pessimista ou rabugento, eis um motivo de peso para povoar a cabeça com pensamentos mais positivos: a sua saúde. Sim, as evidências apontam que pessoas dominadas pelas emoções negativas têm mais risco de desenvolver uma série de doenças e até de ter um piripaque potencialmente fatal.

Veja este estudo publicado em 2014 no Stroke, periódico da Associação Americana de Cardiologia (AHA). Os pesquisadores avaliaram os níveis de estresse, sintomas depressivos, raiva e hostilidade de mais de 6 mil pessoas entre os 45 e os 84 anos e acompanharam a saúde do grupo pelos anos seguintes.

Eles notaram que o índice de derrames e ataques isquêmicos transitórios -entupimento temporário de um vaso sanguíneo do cérebro que é um precursor do AVC- era significativamente maior em indivíduos mais tristes, estressados e hostis. Embora os mecanismos por trás dessa relação não estejam totalmente claros, é fato que pessimistas costumam estar tensos. E a tensão constante favorece o aparecimento de distúrbios como o diabetes e a hipertensão arterial.

Estresse aumenta nível de cortisol no corpo

“O estresse crônico aumenta o nível de cortisol em circulação, hormônio que financia inflamações e, a longo prazo, afeta até a imunidade”, explica Paulo Camiz, geriatra e clínico geral do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). Sem contar que, sob a perspectiva sempre negativa, a autoestima pode ser abalada e, aí, tendemos a cuidar menos de nós e, consequentemente, da saúde.

Ninguém está dizendo que o certo é ser feliz toda hora --até mesmo porque, sabemos, isso é praticamente impossível. O problema é quando os pensamentos negativos como hostilidade, cinismo, agressividade e outros passam a dominar a mente. “Se eles prevalecem, podem levar a uma depressão no futuro”, alerta Camiz. E ela, como se sabe, é outro fator de risco importante para doenças cardiovasculares.

O lado bom do mau humor

Para os emburrados, vale esclarecer antes de tudo que nem todo mau humor é ruim. Pelo contrário, aliás. “Existem pessoas que são mal-humoradas naturalmente e, no geral, todo pensamento inclui também um lado negativo”, explica Luiz Scocca, psiquiatra membro da AAP (Associação Americana de Psiquiatria).

Segundo Scocca, ele pode ainda nos deixar mais focados, concentrados. Fora que não há nada de errado em sentir-se mal, triste, irritado, frustrado ou pessimista. “Há uma ilusão de que devemos estar contentes o tempo todo, satisfeitos, mas isso é impraticável, um conceito do qual devemos nos livrar”, aponta o médico.

Rir é o melhor remédio

Por outro lado, evidências a favor do pensamento positivo não faltam. E essa relação já é conhecida há anos. Em 2009, a mesma AHA publicou um estudo enorme, feito com quase 100 mil mulheres, dizendo que as otimistas tinham menos incidência de doenças cardiovasculares -- 43 casos a cada 10 mil mulheres, contra 60 no grupo das mais pessimistas.

As justificativas para esse elo também não estão bem estabelecidas, mas não há dúvidas de que, sim, otimistas vivem mais e melhor. “Uma pessoa otimista não se deixa abater e o corpo dela acaba de se estruturando de acordo com isso”, diz Camiz. O efeito está relacionado à resiliência, nossa capacidade de se recuperar das adversidades da vida.

O riso em si já trabalha em nome da saúde e bem-estar. “Dar risada libera endorfinas, neurotransmissores que têm efeito semelhante ao de um analgésico”, destaca Fábio Porto, neurologista do Hospital das Clínicas da USP. Não só as gargalhadas combatem a dor como podem ainda proteger o coração. Neste trabalho de 2016 da Universidade de Tóquio, no Japão, mais de 20 mil pessoas de 65 anos tiveram a saúde e a frequência das risadas estudadas.

E, mesmo excluindo outros fatores de risco como excesso de peso, depressão e hipertensão, a prevalência de males cardíacos entre os que quase nunca riam era mais alta do que a dos participantes que relataram rir todos os dias.

Fonte: UOL - 16/04/2018

A mera presença do smartphone afeta a nossa capacidade cognitiva

A onipresença do smartphone já é notória. Em restaurantes, bares, reuniões familiares e até em locais formais, como igrejas e salas de aula em universidades, alguém estará mexendo em um. As vantagens desse aparelho são inegáveis, mas cada vez mais a pesquisa se concentra em um lado menos nobre do smartphone: no poder de destruir a concentração que ele tem.

Em um estudo publicado em abril de 2017, pesquisadores da Universidade de Chicago liderados pelo doutor Adrian F. Ward fizeram testes cognitivos simples com cerca de 800 voluntários. No primeiro, eles tinham que fazer contas e memorizar letras aleatórias ao mesmo tempo; no segundo, os participantes viam um conjunto de imagens que formavam um padrão incompleto e escolhiam uma imagem que melhor completasse o padrão.

Os testes foram feitos por três grupos. Um deles mantinha o celular sobre a mesa, com a tela virada para baixo; o outro, no bolso ou na bolsa; e o terceiro, em outra sala, longe da vista. Em todas as situações, alertas vibratórios e sonoros eram desligados de antemão.

Os resultados foram “chocantes”, segundo os pesquisadores. Os participantes que tiveram seus celulares colocados em outra sala se saíram muito melhor que os que estavam com o aparelho por perto. Para esses, a mera presença do smartphone, mesmo desligado, teve um impacto significativo na capacidade cognitiva, comparável ao dos efeitos da privação de sono.

Os pesquisadores, que batizaram essa desatenção de “fadiga cerebral”, justificam pesquisas do tipo com a natureza inédita do smartphone: “ao longo da história humana,” escrevem na conclusão, “a maioria das inovações ocupou um espaço definido nas vidas dos consumidores; elas eram restritas pelas funções que desempenhavam e pelos locais que habitavam. Smartphones transcendem essas limitações. Eles são companhias constantes dos consumidores, oferecendo conexão sem precedentes à informação, entretenimento e a outros seres humanos”.

Não por acaso, os efeitos na cognição se acentuam na mesma medida em que a dependência do smartphone aumenta.

Solução e problema

Essa natureza foi objeto de um paper do pesquisador Sharif Mowlabocus, publicado em outubro de 2016 na revista científica digital First Monday. Nele, o autor argumenta que o smartphone é, ao mesmo tempo, “o dispositivo que apoia o ‘fetiche da velocidade’ do capitalismo tardio” e o que “oferece um mecanismo de escape dele (por mais ilusório que esse escape possa ser)”. O smartphone seria, então, a solução e parte do problema.

Não faz uma década que o smartphone surgiu e se tornou o dispositivo tecnológico mais popular da história — já somos quase três bilhões de usuários e a tendência é que, nos próximos anos, todos os seres humanos adultos tenham um. Como dizem Ward e seus colegas, “o smartphone de alguém é mais do que um celular, uma câmera ou uma coleção de apps. Ele é aquela coisa que conecta tudo — o centro de um mundo conectado. A presença do smartphone de alguém habilita o acesso sob demanda a informação, entretenimento, estímulos sociais e outras coisas. Entretanto, nossa pesquisa sugere que esses benefícios — e a dependência que eles engendram — possa ter um custo cognitivo.

Fonte: Gazeta do Povo - 07/04/2018

Escócia impõe preço mínimo ao álcool para combater consumo excessivo

Terra dos melhores uísques do mundo, a Escócia anda muito preocupada com os excessos do consumo de álcool entre os seus cidadãos.

Apaixonados por seus formidáveis pubs e bares, os escoceses estão entre os maiores consumidores de bebidas alcoólicas do mundo. Cada adulto no país toma em média o equivalente a 477 pints de cerveja por ano ou algo como 271 litros.

Toda essa dedicação etílica pode ajudar a manter o famoso bom humor dos escoceses, mas também é responsável por vários problemas de saúde e altos índices de dependência.

Para tentar mudar essa situação, o governo escocês decidiu agir. A partir de maio, a Escócia será o primeiro país da Europa ocidental a introduzir um preço mínimo para as bebidas alcoólicas.

Cada unidade de álcool (o equivalente a um copo pequeno de vinho ou meio pint de cerveja) vai custar ao consumidor pelo menos 50 pence (50 centavos de libra esterlina cerca de R$ 2,29 por unidade).

Com a medida, o preço das bebidas subirá para os consumidores nos supermercados e bares. Segundo um estudo do Institute for Fiscal Studies, cerca de 70% de todo o álcool vendido em lojas e supermercados no Reino Unido custa menos de 50 pence por unidade. Em alguns casos, cada unidade pode custar apenas 18 pence (R$ 0,82). Quase um incentivo direto para o consumo.

Com os aumentos, uma garrafa de uísque barato, com 28 unidades de álcool e 700 ml, vai passar a custar pelo menos 14 libras esterlinas (ou R$ 64,14). A cidra extraforte, muito consumida por bebedores pesados no país, passará a custar pelo menos 3,75 libras esterlinas (ou R$ 17,18) por litro.

Segundo os estudos do governo escocês, o aumento do preço do álcool vai limitar bastante o consumo do produto entre as pessoas mais pobres que também são, no caso da Escócia, as mais afetadas por casos de alcoolismo e por problemas de saúde relacionados. Com isso, espera-se uma diminuição razoável nas vendas no país e uma melhora nos indicadores de saúde nos próximos anos.

A decisão foi uma alternativa à ideia tradicional de simplesmente aumentar os impostos sobre o álcool, medida adotada em vários países que tentam conter o consumo do produto. No caso, o governo escocês nem pode considerar essa possibilidade, já que aumentos de impostos sobre produtos são uma prerrogativa apenas do governo central do Reino Unido e não das autoridades locais de Escócia, País de Gales ou Irlanda do Norte.

Mas o preço mínimo pode ter um efeito até maior do que a taxação pura e simples sobre o álcool. Um dos motivos é que especialistas dizem que a indústria de bebidas poderia simplesmente manter os preços de alguns de seus produtos mais baratos, subsidiando-os para não perder fatia de mercado. A diferença poderia ser simplesmente repassada para outros produtos mais caros, consumidos por pessoas mais ricas e menos sensíveis a variações de preço.

Caso isso acontecesse, não haveria de fato uma diminuição sensível do consumo de álcool entre a população. O que pode acontecer com a nova medida.

Coincidência ou não, a indústria de bebidas combateu a ideia do preço mínimo nas cortes por cinco anos. Até perder, em novembro do ano passado, numa decisão da Suprema Corte britânica.

Agora, os governos do Reino Unido, do País de Gales e da Irlanda do Norte também começam a estudar medidas semelhantes. Tudo para tentar fazer com que os britânicos, finalmente, comecem a beber com mais moderação.

Américo Martins
Jornalista escreve sobre a vida em Londres, onde mora pela terceira vez, num total de 15 anos.

Fonte: Folha Online - 29/03/2018

EUA cercam farmacêuticas em tribunais após milhares de mortes por opiáceos

Mais de 400 ações acusam fabricantes e distribuidores de mentir sobre o poder de adicção dos analgésicos.

Os Estados Unidos declararam guerra às empresas que estão por trás da série de mortes pelo consumo de opiáceos. Mais de 400 cidades, condados e organizações interpuseram uma ação conjunta contra os fabricantes e distribuidores dos potentes analgésicos. Quase todos os Estados lançaram pesquisas contra a indústria farmacêutica e vários deles cogitam unir-se ao litígio coletivo. O Governo federal apoia esse caminho e não descarta apresentar sua própria denúncia. Empresas gigantescas são acusadas de publicidade enganosa e de esconder dos consumidores o potencial de vício dos comprimidos de opiáceos. De serem cúmplices de uma feroz epidemia que assola os EUA: todo dia morrem de overdose mais de 150 pessoas. O processo evoca a ofensiva judicial dos anos noventa contra os gigantes da indústria de tabaco.

“É uma crise, uma epidemia. Todo mundo sabe, todo mundo sente, então acredito que todos devemos começar a trabalhar em conjunto”, diz em uma entrevista o juiz Dan Aaron Polster. Temido pelas poderosas indústrias farmacêuticas. Admirado por quem conhece em primeira mão a sangria de mortes pelo consumo de opiáceos. Polster tem um dos trabalhos mais difíceis dos EUA. Em sua mesa no tribunal federal do Distrito Norte de Ohio, em Cleveland, se acumulam 434 ações contra a indústria farmacêutica. “Meu objetivo é alterar a trajetória desta crise. Não digo que vamos solucioná-la este ano, mas precisamos dar alguns passos. Mais gente está ficando viciada. É inaceitável”, afirma.

Polster, de 66 anos, optou por um enfoque heterodoxo desde que em dezembro uma comissão judicial decidiu agrupar em seu tribunal quase todos os litígios dos EUA relacionados às receitas de opiáceos. O juiz comunicou às partes que seu objetivo é obter um acordo em vez de iniciar um longo e agressivo julgamento, o que prefere a defesa dos grandes fabricantes, distribuidores e vendedores de fármacos. A estratégia se compara ao acordo de 1998 que levou as grandes empresas de fumo a pagar uma indenização milionária (206 bilhões de dólares, ou cerca de 660 bilhões de reais) pelos efeitos nocivos do tabaco. O pacto também incluiu proibição à publicidade de cigarros e advertências públicas sobre seus riscos para a saúde.

As estatísticas são assustadoras. Em 2016, último ano com números fechados, morreram cerca de 64.000 norte-americanos por overdose. Cerca de 75% foram provocadas pelo abuso de comprimidos analgésicos, heroína ou fentanil. Os recordes são quebrados todos os anos. A estimativa provisória de 2017 chega a 66.000 mortes. Para se ter uma ideia do alcance do drama, mais de 58.000 norte-americanos morreram em toda a Guerra do Vietnã, 55.000 em acidentes de carro em 1972, um ano recorde, e 43.000 durante o ápice da epidemia de Aids em 1995. A crise dos opiáceos custou ao Governo norte-americano cerca de um bilhão de dólares (3,2 bilhões de reais) desde 2001.

As mortes por overdose de heroína triplicaram entre 2010 e 2014 nos EUA. Cerca de 435.000 cidadãos afirmam ter consumido a droga nos últimos 30 dias, segundo as pesquisas disponíveis. Por trás está uma poderosa conexão entre fármacos e heroína. Quatro em cada cinco novos consumidores de heroína afirmam ter abusado antes de remédios contra a dor. Quando ficam sem receitas para comprá-los, o desespero os leva à droga ilegal. E muitos olhares apontam para a atuação de médicos, farmacêuticos e outros profissionais de saúde: em 1992, foram prescritas 79 milhões de receitas de opiáceos no país, em 2012 foram 217 milhões.

O Governo de Donald Trump declarou a crise dos opiáceos uma emergência de saúde pública. E o juiz Polster aponta a raiz da tragédia. Seu objetivo é conseguir soluções tangíveis de curto prazo que não só impliquem compensações financeiras mas mudanças radicais no setor. “Quando se dão alguns passos, em seguida é possível dar outros. Em geral, é assim que se soluciona um problema muito complexo. Você não fica sentado esperando que alguém encontre uma grande solução para tudo”, afirma.

A pressão diante de uma indústria vigorosa mas que se sabe no olho do furacão está começando a dar mais frutos. Dez dias antes de uma das sessões judiciais, a Purdue Pharma, fabricante do OxyContin, o opiáceo mais conhecido, anunciou em fevereiro que pararia de divulgar seus comprimidos a médicos e cortaria pela metade sua equipe comercial.

Greg Williams, vice-presidente da Facing Addiction, uma organização que ajuda viciados, considera o passo insuficiente. “Eles e outros fabricantes e distribuidores de opiáceos devem a nossas comunidades milhares de milhões de dólares em reparação”, sustenta. “Precisamos de financiamento para educação pública, profissionais de saúde, prevenção e tratamento.”

Anna Lembke, especialista em adicções da Universidade de Stanford, que testemunhou para o juiz de Cleveland, concorda que o anúncio da Purdue representa “uma gota no oceano” do conjunto da crise dos opiáceos. Mas destaca que “simbolicamente é muito importante” porque representa, depois de anos de negação, uma admissão implícita da farmacêutica quanto a seu impacto sobre o que os médicos estão receitando.

Na ação judicial em massa, acusa-se a Purdue e outros fabricantes, como Johnson & Johnson, de divulgar durante anos seus opiáceos apesar de conhecer perfeitamente seu potencial aditivo. As empresas distribuidoras são denunciadas por enviar quantidades enormes de fármacos sem avisar as autoridades; e as farmacêuticas, de não esclarecer o suficiente aos pacientes quanto ao produto que estavam comprando.

Todos alegam que os fármacos foram autorizados pelo Governo e que são os médicos quem receitam. No entanto, os críticos argumentam que os médicos não recebem informações suficientes sobre os riscos. E as empresas financiaram lobbies médicos que minimizam os possíveis problemas dos comprimidos, segundo um relatório do Senado.

De fato, em 2007 a Purdue se declarou culpada diante de um juiz federal de enganar médicos e pacientes sobre o risco de adicção e o potencial abuso de OxyContin depois de uma investigação que terminou em 2001. Pagou uma multa de 600 milhões de dólares (quase 2 bilhões de reais). O jornal Los Angeles Times revelou em 2016 que, durante duas décadas, a Purdue sabia que seu fármaco poderia ter um efeito mais breve do que o anunciado, o que aumenta o risco de adicção, mas escondeu para não perder sua participação de mercado. O OxyContin representa 80% das vendas da empresa, a um valor de 1,7 bilhões de dólares (cerca de 5,5 bilhões de reais) em 2017.

Um porta-voz da Purdue não respondeu as perguntas deste jornal.

A empresa deu início nas últimas semanas a uma campanha para tentar melhorar sua imagem. Publicou anúncios nos principais jornais, falou de uma “responsabilidade de se unir à luta” contra a epidemia de opiáceos e garantiu que há comprimidos demais entre a população. A Purdue também promoveu em alguns Estados o uso de produtos que revertem a overdose, formas de descartar os fármacos e fez campanhas informativas sobre o vício.

A empresa, no entanto, rejeitou o pedido de alguns dos demandantes de deixar de vender sua versão mais forte de OxyContin e os especialistas advertem que continua divulgando seu remédio em outros países.

Lembke enfatiza que a solução para o vício rampante de opiáceos levará “anos, senão décadas, para chegar”. Pede ação nos vários âmbitos, além de reduzir a influência do setor farmacêutico, e abordar temas incômodos, como o que chama de “medicalização da pobreza” ou a estigmatização da dor, que contribuiu para que a partir dos anos noventa proliferassem as receitas de opiáceos contra as dores crônicas. O que ninguém imaginava é que por trás dessa intenção inicial se chegaria ao pesadelo atual.

A POLÊMICA FAMÍLIA DE PATRONOS ARTÍSTICOS POR TRÁS DO OXYCONTIN

A origem da Purdue Pharma, a fabricante do opiáceo OxyContin, está em uma pequena empresa de pesquisas científicas apoiada pela família Sackler. Os Sackler são conhecidos por sua riqueza e por suas generosas doações a museus e universidades. Mas nos últimos anos a epidemia de mortes pelo consumo de opiáceos os colocou diante de um espelho incômodo. Por exemplo, a fotógrafa Nan Goldin, que foi vítima do vício em OxyContin, liderou no fim de semana passado um protesto em uma ala do museu Metropolitan de Nova York que leva o nome da família. Os manifestantes exibiram cartazes como “Vergonha dos Sackler” e outros que pediam que o clã financie programas de reabilitação.

Os herdeiros de Arthur Sackler afirmam que ele morreu antes que o OxyContin tivesse sido criado e que não se beneficiam financeiramente do fármaco. Mas uma das filhas, Elizabeth Sackler, elogiou o ativismo de Goldin e considerou “moralmente aberrante” o papel da Purdue na crise dos opiáceos.

Fonte: El País - 23/03/2018

Fumar maconha 5 vezes na juventude já aumenta risco de psicose

Fumar maconha pode não ter os mesmos efeitos para todo mundo e, quando o início do hábito começa na adolescência, é ainda mais prejudicial.

E não precisa de muito: fumar cannabis apenas cinco vezes na vida, quando o indivíduo ainda é adolescente, aumenta os riscos de desenvolver psicose — desordem mental que faz com que a pessoa perca o contato com a realidade. É o que atestam novas descobertas lideradas por pesquisadores finlandeses, da Universidade de Oulu.

Tais estudos apoiam uma série de evidências que mostram que, consequentemente, a cannabis pode até aumentar o risco de suicídio.

“Nossas descobertas estão em consonância com as visões atuais sobre o uso pesado de cannabis, particularmente quando iniciadas em uma idade precoce, estando ligada a um risco aumentado de psicose”, comentou um dos pesquisadores do trabalho publicado no The British Journal of Psychiatry.

Especialistas afirmam que um estudo nacional inglês, divulgado há dois anos, mostrou que o consumo de skunk (variação da cannabis com maior concentração de substâncias psicoativas) entre os jovens ingleses aumentou bastante e, tal fato, já está associado a pelo menos 1/4 de novos casos de algum tipo de psicose da população.

Detalhes do estudo:

Mais de 6.000 voluntários entre 15 e 30 anos foram acompanhados para avaliar o risco de doença. Os números estimam que cerca de 1% da população sofra de psicose, o que pode causar delírios, como ouvir vozes e levar a graves dificuldades.

Um estudo paralelo, que envolveu o estudante de doutorado Antti Mustonen, mostrou uma ligação entre fumar cannabis e progressão do desenvolvimento de psicose.

Mustonen, que trabalhou ao lado dos especialistas de Cambridge e Queensland, acrescentou: “Se possível, devemos nos esforçar para evitar o uso precoce da cannabis”.

Cigarro ligado à psicose

Um estudo separado, publicado na Acta Psychiatrica Scandinavica, mergulhou na ligação entre fumar cigarros e psicose. No trabalho, pesquisadores mostram dados de adolescentes que fumaram em média dez cigarros por dia terem mais chances de sofrerem com psicose.

Tal risco também é aumentado se o tabagismo começar antes dos 13 anos, de acordo com a pesquisa, liderada pelo professor Jouko Miettunen. O profissional explicou que os achados eram verdadeiros mesmo quando contabilizavam outros fatores que aumentavam o risco, incluindo histórico familiar da doença.

“Com base nos resultados, a prevenção do tabagismo adolescente provavelmente terá efeitos positivos sobre a saúde mental da população na vida adulta”, afirmou.

Ian Hamilton, professor de saúde mental na Universidade de York, disse à publicação MailOnline que tais achados eram “preocupantes” e o contrário também acontecia.

“Pessoas com problemas de saúde mental são mais propensas a fumar. “Este estudo sugere que isso não é um acidente, pois fumar parece aumentar o risco de desenvolver sérios problemas de saúde mental, como psicose”, acrescentou.

Com DailyMail

Fonte: Veja - 17/03/2018

O futuro da política nacional sobre drogas nas mãos do Senado

Este ano será para a população brasileira, que há anos vive tempos conturbados, com denúncias de corrupção, escalada da violência, enfim… Com eleições à frente e também projetos de suma importância tramitando no Congresso, 2018 pode ser um ano marcado por grandes progressos ou retrocessos.

Um enorme avanço pode ser obtido com o Projeto de Lei Complementar (PLC) 37, de autoria do Deputado Federal e Ministro do Desenvolvimento Social Osmar Terra (MDB). O PLC 37 representa uma proposta para uma nova Política Nacional sobre Drogas em nosso país, que, dentre outros pontos, busca promover seu alinhamento com a nova Política Nacional de Saúde Mental, oferecer programas de prevenção e de tratamento baseados em evidências, além de ampliar as abordagens terapêuticas, hoje focadas na prática de redução de danos, fazendo com que o poder público possa ampliar a oferta de cuidados adequados às necessidades de cada paciente.

O projeto também aprimora a definição dos papéis das esferas municipal, estadual e federal em relação às medidas de prevenção e tratamento, assim como a distinção entre traficantes (que terão penas mais severas) e usuários, sendo que para os últimos continua a ser aplicada a lei brasileira 11.343/06, que despenaliza o usuário e evita que ele seja preso por portar drogas para consumo próprio.

Estamos falando de avanços significativos em relação à legislação anterior, que ainda não foram colocados em prática devido à morosidade do nosso processo legislativo. Aprovado pela Câmara dos Deputados em 2013, o PLC 37 foi encaminhado ao Senado, onde já foi analisado, discutido e aprovado em diversas comissões, dentre elas a de Constituição, Justiça e Cidadania.

A última ação legislativa agora depende do Presidente do Senado – Eunício de Oliveira (MDB), que deve colocá-lo em votação. Ou seja, está nas mãos do Senado brasileiro os próximos anos da política brasileira de enfrentamento, prevenção e tratamento contra o consumo de drogas. Porém, todo o trabalho dedicado a este projeto de lei, assim como as medidas que prevê, podem simplesmente ir por água abaixo muito em breve.

O julgamento no STF

Encontra-se suspensa no Supremo Tribunal Federal (STF) a votação do julgamento sobre a descriminalização da posse de drogas para uso recreativo (como mencionado anteriormente em minha coluna no Blog Letra de Médico). Em 2015, o ministro Gilmar Mendes votou a favor da descriminalização de todas as drogas, Luis Roberto Barroso e Edson Fachin votaram pela descriminalização apenas da maconha, sendo que o ministro Barroso sugeriu a fixação de um limite de 25 gramas para a posse da droga.

Porém, o então ministro Teori Zavascki realizou um pedido de vista do processo, que resultou na suspensão do julgamento. O ministro Alexandre de Moraes, que ocupou a vaga de Teori, falecido em um desastre aéreo em 2017, herdou o caso, que só pode continuar a ser debatido após sua avaliação.

Com esse contexto em mente, temos a seguinte situação: se o Senado permanecer inerte, corremos o risco de o STF, que não deveria fazer leis, desenhar um novo panorama na política de drogas brasileira com sua decisão. Não podermos esquecer que já são três votos favoráveis à legalização ao menos da maconha no Supremo Tribunal Federal, panorama oposto à vontade da maior parcela da população, contrária à descriminalização, conforme demonstrado durante anos em várias pesquisas pelo país.

Você pode acompanhar aqui o andamento do PLC 37.

É importante que a população brasileira exerça seus direitos e cobre uma posição sobre o assunto dos representantes que elegeu para o Congresso, para que esse projeto, que decide o futuro de uma política tão importante para todos nós, seja colocado em votação o quanto antes.

Ronaldo Laranjeiras - Professor de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo e coordenador da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas (UNIAD)

Fonte: UNIAD - 03/03/2018

Turma da Mônica irá conviver agora com a cerveja como se fosse um hábito transgeracional

A AMBEV, dona de marcas de cerveja como Skol, Antarctica, Brahma e Budweiser, lançou recentemente no mercado a campanha “Papo em Família”, que consiste em um material (cartilha, vídeo, tirinhas) da Turma da Mônica para falar sobre a idade certa para o consumo de bebidas alcoólicas.

Segundo a presidente da ABEAD (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas), Ana Cecília Marques, é inadmissível ter o Cebolinha, um dos personagens principais das histórias infantis aprendendo sobre a hora certa de ingerir bebidas alcoólicas, tratando a cerveja como se fosse leite. “O Cebolinha faz parte do imaginário coletivo brasileiro, e vê-lo convivendo com a cerveja, até hoje considerada por muitos uma bebida mais fraca, é uma péssima influência, principalmente por passar a ideia que ela é quase como se fosse água para matar a sede, o que sem dúvida é influência negativa”, afirmou a psiquiatra.

A peça ainda retrata os parentes do Cebolinha na trama, colocando na figura do pai o papel de definitivamente inserir a cerveja na mesa da família brasileira, justamente em casa, local onde deveria prevalecer a prevenção, principalmente ao lidar com jovens. “Não é de hoje que a indústria do álcool traça estratégias para garantir a clientela das novas gerações, mas mexer com o lúdico das crianças já é demais”, comentou Ana Cecília Marques.

Além da tão usada mensagem que coloca “a bebida alcoólica como um produto qualquer”, depois daquela que insiste que “é só beber com moderação”, a campanha reforça uma nova vertente ao dizer que “o produto pode ser um hábito transgeracional, parte da cultura familiar”. Daqui a algum tempo, poderá se transformar em um valor familiar, indo mais além da família, atingindo seu entorno, pois lá também estão os amigos do Cebolinha.

“Será que agora só nos resta esperar que por meio de suas propagandas inescrupulosas eles transformem a Mônica e suas amiguinhas em super mulheres, sensuais e poderosas, fantasiando que a bebida alcoólica é um produto que tem esse poder, e rapidamente nossas adolescentes irão bater todos os recordes do abuso e da dependência?”, indaga a presidente da ABEAD. “Onde estão os órgãos que controlam as propagandas? E diante de um crime tão contundente, vamos indiciar a indústria de bebidas alcoólicas ou o pai e a mãe do Cebolinha?”, conclui.

Fonte: UNIAD - 19/02/2018

Advogadas ajudam dependentes químicos a reencontrarem família

Na capital paulista, a Casa de Passagem Recomeço consegue reaproximar dependentes químicos que estavam longe de seus familiares há 11 anos.

Advogadas voluntárias ligadas à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) realizam buscas de parentes dos acolhidos do serviço público estadual que funciona em parceria com a Organização Social Casa de Isabel. A atividade intitulada “Justiça Restaurativa” acontece quinzenalmente, às 16h nas quintas-feiras.

A ação discute a importância do convívio familiar e promove uma mediação entre os parentes com o objetivo de facilitar o diálogo e a reaproximação. De acordo com os especialistas do Programa Recomeço, a retomada do vínculo familiar é parte fundamental para o processo de reinserção social e tratamento do dependente químico.

Inaugurada há um ano, a Casa de Passagem do “Programa Recomeço – Uma Vida sem Drogas” já acolheu mais de 300 dependentes químicos do Estado de São Paulo. Os usuários de substâncias psicoativas maiores de 18 anos são recebidos por um período de, no máximo, 30 dias.

A casa atende exclusivamente homens. São disponibilizadas 24 vagas e um investimento anual do governo do Estado de São Paulo de cerca de R$ 1 milhão no serviço.

Os acolhidos moram no local enquanto aguardam avaliações diagnósticas e providências necessárias para o encaminhamento a outros serviços socioassistenciais de retaguarda.

O Programa Recomeço é uma ação integrada entre as secretarias de Desenvolvimento Social, Saúde, Justiça e Cidadania, Educação e Segurança Pública, que oferece tratamento de saúde e reinserção social com foco no fortalecimento de vínculo familiar e inserção no mercado de trabalho.

Fonte: UNIAD - 07/02/2018

Mais de onze milhões de brasileiros têm depressão

Uma tristeza profunda que faz o corpo doer com os efeitos de uma doença que é invisível e dificulta ações cotidianas simples como levantar da cama, comer, trabalhar ou estudar. Essa é a depressão, que já é conhecida como o mal do século por ter estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), de que até 2020 será a doença mais incapacitante do mundo.

Por isso, a depressão foi o tema eleito pela OMS para o Dia Mundial da Saúde, comemorado neste dia 07 de abril. A proposta é chamar atenção para a doença e incitar os debates a esse respeito.

Segundo o recente relatório da OMS, a prevalência da depressão no Brasil já é a segunda maior carga de incapacidade, sendo o maior índice na América Latina. São mais de onze milhões de brasileiros diagnosticados com a doença, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). A prevalência registrada é maior entre as mulheres (10,9%) do que nos homens (3,9%).

“Há três anos fui diagnosticada, depois de conviver alguns anos com sintomas como a completa falta de vontade de sair de casa, de ver os amigos, de levantar da cama e ter problemas dentro de casa com minha família pela incompreensão da minha ansiedade e falta de ânimo”, relata a barista, Aline de Sousa Bastos.

A depressão representa quase um quarto (23%) dos atendimentos ambulatoriais e hospitalares em saúde mental no Sistema Único de Saúde. A principal porta de entrada são as Unidades Básicas de Saúde (UBS), que correspondem a 69% dos atendimentos e diagnósticos realizados no Brasil.

Os casos menos graves da doença recebem o acompanhamento de profissionais como psicólogos e psiquiatras, mas não requerem cuidados mais extremos. “Esse é um cenário bastante importante porque a Atenção Básica é a área ideal para acompanhar os casos leves e moderados, pois tem equipes constantemente capacitadas para desempenhar este atendimento”, explica o coordenador-geral de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde, Quirino Cordeiro.

As ocorrências de maior gravidade, como a falta de interesse no convívio social, ou que estão associadas a outras doenças como bipolaridade, esquizofrenia entre outras, são encaminhadas aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Uma das principais formas de tratamento da depressão é a psicoterapia, com sessões de acordo com a necessidade do paciente. Segundo a psicóloga Cecília Frota, essa terapia busca “mexer com o emocional para encontrar a causa do que gerou essa tristeza, para tentar ajudar o paciente a chegar em um nível de autoconhecimento que seja um caminho para a solução dos problemas”.

Apesar de os dados da Pesquisa Nacional de Saúde revelar que a frequência de pessoas com depressão aumenta de acordo com o avanço da idade, as crianças também são vítimas dessa doença e precisam de acompanhamento específico. Ouça aqui, na matéria especial da Rádio Saúde: https://soundcloud.com/ministeriodasaude/depressao-criancas-tambem-sao-afetadas-pela-doenca.

Pessoas que sofrem com a depressão e não conseguem buscar ajuda de profissional de saúde ou, mesmo aquelas com risco de suicídio, podem buscar apoio em conversas com os voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo número 141. Em breve, essa ligação passará a ser gratuita pelo telefone 188, graças a um acordo do Ministério da Saúde com o CVV.

“É um trabalho importante e muito efetivo, com resultados positivos para a sociedade e, por isso, continuaremos apoiando o CVV, que é tão necessário em momentos de angústia, em momentos em que as pessoas estão com um dilema sobre a vida para retomar o dia a dia”, declarou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Janary Damacena para o Blog da Saúde

Fonte: UNIAD - 02/02/2018

O problema de exagerar no álcool e nos energéticos nas baladas

Maurício de Souza Lima

Os jovens estão bebendo mais cedo e com uma frequência maior. Isso é fato. Para muitos deles, as festas que não oferecem bebida alcoólica são bastante desinteressantes. E, apesar de a lei ser clara, proibindo o consumo para menores de 18 anos, a gente vê que existem até mesmo marcas que parecem desenhadas para agradá-los.

Algumas delas têm bem mais do que o dobro do teor alcoólico do que a média de uma cerveja, que gira em torno de 4,5% ou 5%. As vodcas flavorizadas, por exemplo, têm cerca de 14%. Menos, bem menos do que a vodca tradicional com seus 40%, é a pura verdade. Mas, ainda assim, um volume alto para um organismo em plena adolescência. E a meninada acha que está tomando suquinho de limão… Não está.

Para um fígado que começa a se acostumar a processar determinadas substâncias, é um desastre. Lembrando ainda que o álcool se espalha pelo corpo todo — vai parar até mesmo nos músculos e nos ossos desses jovens. Consumido com frequência, atrapalha um bocado o desenvolvimento.

Sem contar que trabalhos demonstram o seguinte: quanto mais cedo o indivíduo começa a beber, maior o risco de se tornar dependente do álcool no futuro, especialmente se existem pessoas com o problema do alcoolismo na família. Esse, porém, é apenas um aspecto.

E a realidade é que, tapando os olhos para os riscos, muitos pais cedem à pressão. O garoto vai dar uma reunião em casa e diz à família que gostaria que tivesse tal bebida. Ou já a avisa, de antemão, que os amigos irão trazer algumas garrafas. Aí o adulto fica sem saber o que fazer. Você quer minha opinião? Sempre digo para não ceder. No mínimo, pela implicação legal: o pai que aceita essa condição passa a se responsabilizar por todos os adolescentes menores de idade naquela festa. Ponto.

Claro que bancar essa decisão de negar a presença de bebida, totalmente contra a vontade do adolescente, sempre gera uma reação forte. Prepare-se. Afinal, faz parte da adolescência não só uma certa prepotência como um sentimento de invulnerabilidade: o jovem acha que, com ele, não vai acontecer nada. Só que acontece. E acontece cada vez mais. Deixe que fique nervoso.

Para piorar, nessas festas movidas a álcool, observo que garotos e garotas cometem erros básicos. Primeiro, beber de estômago vazio. Segundo, dar o tal do shot. Note que o corpo leva aproximadamente 40 minutos para metabolizar o álcool. Só que o menino dá o shot, não sente nada e, um minuto e meio depois, dá outro. Pensa até que é forte para a bebida. Ilusão.

O terceiro ponto é que todo álcool é diurético e faz a pessoa perder água. Sem líquido, as reações do organismo emperram. Tudo piora. Para contrabalançar, seria fundamental que a rapaziada tomasse líquidos não alcoólicos entre um gole bebida e outro. Mas não é o que costuma ocorrer. E, desse modo, a situação se agrava. Tornam-se mais freqüentes casos de coma e parada cardíaca na adolescência. Porque — apesar de em um primeiro estágio todo mundo parecer mais aceso e desinibido ao começar a beber —, o álcool é sempre um depressor do sistema nervoso, como se o desligasse aos poucos.

É o tal do “dar PT”, ou seja, dar uma “perda total”. Em geral, o jovem primeiro dorme ou até mesmo desmaia. Mas, se logo acorda e volta a beber, o risco de problemas graves é enorme.

Pior de tudo, fiquem sabendo, é a mistura com energético que, por si, ao menos em uma dose única, não faria mal. Ele tem mais ou menos 80 miligramas de cafeína, o que isoladamente não seria grande coisa.O perigo, porém, é misturar no mesmo copo uma substância depressora, o álcool, com outra que é estimulante. Não pensem que uma anula ou compensa a outra — engano que até adultos cometem. Nada disso. Fazer essa mistura é a mesma coisa de dirigir um carro e engatar a primeira e a marcha à ré ao mesmo tempo. A mesmíssima coisa. O corpo entra em pane.

E o que posso dizer? O de sempre: tente conversar com seu filho. A melhor prevenção contra todos os males na adolescência é o diálogo. Fale sobre o teor alcoólico enganador de certas bebidas, sobre a importância de comer algo durante a festa, sobre tomar água a todo instante, sobre evitar misturas com energéticos… Fale, antes de mais nada, que seria ótimo se ele esperasse um pouco mais para beber.

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clínico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Fonte: UOL - 26/01/2018

Parar de fumar gera economia de R$ 1 milhão em 30 anos

O hábito de fumar faz mal para a saúde e também para o bolso dos consumidores. Largar o cigarro pode levar a uma economia de até um milhão de reais em 30 anos, segundo Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da escola DSOP Educação Financeira.

“Quanto a pessoa vai efetivamente economizar depende de seus hábitos, como quantos cigarros ela fuma por dia e o valor pago pelo maço”, afirma Domingos. Os cálculos do especialista consideram uma pessoa que fuma um maço por dia e paga oito reais por caixinha. Fazendo as contas, esse fumante gasta 240 reais por mês em cigarros. Investindo esse dinheiro em um fundo com rendimento a 8% (uma poupança, por exemplo), a pessoa terá 63.291,18 reais, em 10 anos, 293.901,45 reais, em 20 anos, e 1.028.274,92 reais, em 30 anos.

Se a pessoa paga mais pelo maço, a economia deve ser ainda maior. Fazendo as mesmas contas para um maço de nove reais por dia, ao final de 30 anos, o ex-fumante deve economizar 1.155.423,51 reais, investindo em fundo que renda aproximadamente 8% ao ano e corrigindo anualmente o valor investido de acordo com a inflação.

Esta economia, porém, é apenas resultado de deixar de comprar cigarros e investir o dinheiro que antes era dedicado a esses produtos. Segundo Domingos, a economia real pode ser ainda maior. Isso porque os cálculos desconsideram os gastos com saúde e a perda de rendimento no trabalho que a pessoa conseguiu evitar ao deixar de fumar.

Mas, para chegar lá, é preciso dedicação. “Em primeiro lugar, é importante estabelecer um sonho que deseja realizar com o valor. Afinal, sabemos que deixar o vício não é fácil e se o objetivo for apenas poupar por poupar, dificilmente se manterá perseverante ao longo dos anos”, afirma Domingos. “Portanto, além de considerar todos os benefícios para a saúde, é válido definir um sonho para realizar com o dinheiro que terá após parar de fumar – como se aposentar com tranquilidade, comprar uma casa ou um terreno, entre outros. O sonho irá motivar a pessoa a deixar de fumar e poupar e investir o dinheiro mensalmente.”

Além disso, quando se trata de investimentos, poupar valores que parecem desprezíveis agora pode fazer a grande diferença no futuro. “Por ser um objetivo de longo prazo, os rendimentos do investimento trabalham a favor. Ou seja, além do valor poupado, no futuro essa pessoa terá também os rendimentos obtidos sobre o valor”, explica Domingos. Isso quer dizer que, se no início o rendimento era calculado sobre os oito reais poupados em um maço de cigarro, no futuro ele levará em conta os 1.028.274,92 reais obtidos em 30 anos de economia.

“Também é válido, com o passar dos anos, procurar investimentos que deem retorno financeiro ainda maior”, diz o especialista. “O mais importante é dar os primeiros passos: mudar os hábitos e começar a poupar para realizar seus sonhos.”

Fonte: VEJA - 19/01/2018

Philip Morris, fabricante do Marlboro, anuncia que está desistindo dos cigarros. Empresa fez anúncio no formato "Resolução de Ano Novo"

São Paulo - "Todos os anos, muitos fumantes desistem do cigarro. Agora é nossa vez". Com essa frase, a Philip Morris, fabricante do Marlboro e do L&M, anunciou que pretende deixar de vender cigarros no Reino Unido. É provavelmente um primeiro passo para uma mudança de estratégia mundial da companhia.

Isso não significa, porém, que a empresa esteja desistindo das frentes mais rentáveis de seu negócio: nicotina e tabaco. Cigarros eletrônicos e produtos alternativos à base de tabaco serão cada vez mais destacados no portfólio da gigante mundial.

Na publicação. que esteve em diversos jornais locais na quinta-feira, 04/01/2018, a empresa afirmou que a melhor decisão para os 7,6 milhões de adultos britânicos que fumam é desistir. Por isso, deixará de lado a sua frente mais conhecida para continuar investindo em alternativas para esse vício.

"Até agora, investimos 2,5 bilhões de libras esterlinas em pesquisa e desenvolvimento. E isso tem feito diferença", diz a companhia, citando novos produtos que permitem aos fumantes ter opções melhores para a saúde.

Para cumprir com essa resolução de Ano Novo, a Philip Morris fez uma série de compromissos, como lançar um site e uma campanha com informações para fumantes que querem desistir dos cigarros; apoiar iniciativas governamentais em locais onde o número de fumantes é muito alto e buscar a aprovação do governo para inserir nas embalagens de cigarros informações sobre alternativas para desistir do produto. Por último, obviamente, se comprometeu a expandir a gama de produtos alternativos no Reino Unido.

As tentativas aparentemente nobres da Philip Morris já tiveram efeitos diferentes do esperado em outros momentos. Em setembro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) rejeitou um plano da mesma companhia para criar uma fundação para um Mundo sem Cigarro, focando nas "opções alternativas" que vende.

Atualização:

Em contato com o InfoMoney, a Philip Morris afirmou que procura regulamentação da Anvisa para "produtos de risco reduzido, como produtos de tabaco aquecido, que são melhores alternativas para os adultos fumantes do que cigarros". A empresa afirma que a "visão de construir um futuro sem fumaça não significa construir um futuro sem tabaco". E reforça que o "principal produto de risco reduzido é um produto que contém tabaco, o que reforça nosso compromisso com a cadeira produtiva do tabaco no Brasil".

Fonte: Infomoney - 12/01/2018

Pela primeira vez, vício em games é considerado distúrbio mental pela OMS

O vício em jogos de videogame passou a ser considerado pela primeira vez um distúrbio mental pela Organização Mundial da Saúde.

A 11ª Classificação Internacional de Doenças (CID) irá incluir a condição sob o nome de "distúrbio de games". O documento descreve o problema como padrão de comportamento frequente ou persistente de vício em games, tão grave que leva "a preferir os jogos a qualquer outro interesse na vida".

Alguns países já haviam identificado essa condição como um problema importante para a saúde pública.

Muitos, incluindo o Reino Unido, têm clínicas autorizadas a tratar o distúrbio.

A última versão da CID foi finalizada em 1992, e a nova versão do guia será publicada neste ano. Ele traz códigos para as doenças, sinais ou sintomas e é usada por médicos e pesquisadores para rastrear e diagnosticar uma doença.

O documento irá sugerir que comportamentos típicos dos viciados em games devem ser observados por um período de mais de 12 meses para que um diagnóstico seja feito. Mas a nova CID irá reforçar que esse período pode ser diminuído se os sintomas forem muito graves.

Os sintomas dos distúrbios incluem:

  • Não ter controle de frequência, intensidade e duração com que joga videogame;
  • priorizar jogar videogame a outras atividades;
  • continuar ou aumentar ainda mais a frequência com que joga videogame, mesmo após ter tido consequências negativas desse hábito;

Richard Graham, especialista em vícios em tecnologia no Hospital Nightingale em Londres reconhece os benefícios da decisão.

"É muito significativo, porque cria a oportunidade de termos serviços mais especializados. Ele coloca (esse distúrbio) no mapa como algo a ser levado a sério".

Mas, para ele, é preciso tomar cuidado para não se cair na ideia de que todo mundo precisa ser tratado e medicado.

"Pode levar pais confusos a pensarem que seus filhos têm problemas, quando eles são apenas 'empolgados' jogadores de videogame", afirmou.

Segundo Graham, ele vê cerca de 50 casos de vício em videogame surgindo por ano e seu critério é: o jogo está afetando atividades básicas, como comer, dormir, socializar ou ir à escola? Se a resposta for sim, então, pode ser um problema.

"O vício está dominando o estado real neurológico, o pensamento e as preocupações?" - de acordo com Graham, essa seria uma boa pergunta para fazer ao diagnosticar um paciente.

Em 2013, no Manual de estatísticas e diagnósticos de distúrbios mentais"(DSM, na sigla em inglês), o distúrbio relacionado a games e videogames era considerado "condição a ser estudada" - o que significa que ela não era oficialmente reconhecida.

Muitos países já adotam até mesmo medidas mais sérias para combater o problema. Na Coreia do Sul, o governo criou uma lei para proibir o uso de games por pessoas menores de 18 anos entre meia-noite e seis da manhã.

No Japão, os jogadores são advertidos caso passem mais do que uma certa quantidade de horas por mês jogando videogame e, na China, a gigante de tecnologia Tencent determina um limite de quantidade de horas que uma criança pode jogar.

Um estudo recente feito na Universidade de Oxford sugeriu que, apesar de as crianças no geral passarem cada vez mais tempo na frente das telas, isso não necessariamente representa vício.

"As pessoas acreditam que as crianças estão viciadas em tecnologia e nessas telas 24 horas por dia a ponto de abdicarem de outras atividades. Mas sabemos que esse não é o caso", afirmou o pesquisador Killian Mullan.

"Nossas descobertas mostram que a tecnologia tem sido usada em alguns casos para apoiar outras atividades, como tarefas de casa, por exemplo, e não excluindo essas atividades das vidas das crianças", disse ele.

"Assim como nós, adultos, fazemos, as crianças espalham o uso da tecnologia digital ao longo do dia, enquanto fazem outras coisas", finalizou.

Fonte: G1 - 05/01/2018

Grupos de mútua-ajuda no Brasil:

Um recurso terapêutico, uma rede disponível

Se valorizarmos o poder destas forças para apoiar a prevenção e o tratamento, será possível desenvolver novos e poderosos caminhos para reduzir o sofrimento causado pelo uso e abuso de drogas.

Qualquer que seja a linha de pensamento seguida pelos profissionais da saúde em relação ao tratamento de pessoas que tenham desenvolvido dependência de substâncias psicoativas, não se despreza a importância dos grupos de autoajuda no trabalho a longo prazo e redução das recidivas.

Infelizmente, está bastante claro que, no Brasil, os grupos de mútua ajuda são subaproveitados. Informações superficiais, livros de difícil acesso, poucos estudos materializam, no meio leigo e acadêmico, uma visão distorcida sobre os chamados Grupos Anônimos ou de mútua ajuda, criando obstáculos para se trabalhar em rede e ajudar o paciente em vários momentos do tratamento.

Grupos_de_mutuaajuda

Grupos_AutoAjuda

FONTE: UNIAD - 20/08/2011

A montanha russa da dependência química

Ser Psicólogo e trabalhar com dependentes químicos muitas vezes assemelha-se a dar uma volta em uma montanha russa, quando somos tomados por inevitável ansiedade e sensação de impotência, uma vez que não temos nenhum controle sobre as ações daquele brinquedo, só nos restando torcer para que tudo acabe bem. Atuar no mundo da dependência química exige do profissional, nervos de aço, já que não é exceção sermos surpreendidos com notícias desagradáveis após um período de franca calmaria.
Dependência química é uma doença bastante complexa e desafiadora para nós profissionais, quer seja pelos agentes determinantes na sua aparição, pela particularidade individual da sua evolução ou pelo intrincado caminho que possa levar à recuperação.
Esta enfermidade faz parte do roll das patologias crônicas, ou seja, seu portador conviverá por toda a vida com essa doença, entretanto isso não significa que não poderá levar uma vida normal, contanto que se abstenha totalmente do consumo de álcool ou qualquer outra droga.
Fatores biológicos, psicológicos e sociais estão no cerne do desenvolvimento desta doença. Predisposição genética, traumas na infância e ambientes permissivos são alguns dos eventos que originam o aparecimento da dependência química.
Em maior ou menor grau, as consequências vivenciadas por seus portadores também são de ordem biopsicossocial. Fisicamente podem sofrer desde uma desnutrição, doenças como diabetes, hipertensão, úlcera, até uma cirrose hepática ou um acidente fatal. Dificuldade para concentrar-se, irritabilidade e transtornos mentais são algumas das consequências psicológicas que a doença pode causar. As consequências sociais referem-se, geralmente, a conflitos familiares ou amorosos, problemas judiciais, baixo rendimento escolar e dificuldades no trabalho.
Em relação ao tratamento, com exceção do aparecimento de algum novo medicamento, nenhuma novidade tem surgido, além das instituições governamentais e de empresas públicas e privadas, as quais têm se mobilizado para encontrarem a melhor forma de prevenir ou minimizar o uso de drogas e suas consequências. Todavia, sobre o tratamento, alguns princípios já são consenso entre os profissionais de saúde que atuam nesta área e, dentre eles, destacam-se: o tratamento não precisa ser voluntário para ser eficaz; um único tipo de tratamento não é indicado para todos os indivíduos; terapias comportamentais são fundamentais para o desenvolvimento de habilidades para resistir ao uso de drogas; medicações são elemento importante no tratamento de vários pacientes; o envolvimento da família  no tratamento ajuda significativamente; por ser uma doença recorrente, muitas vezes serão necessárias, durante o tratamento, várias intervenções e tentativas de abstinência.  
Somente o profissional que penetra no universo complexo, mas também fascinante, que é o trabalho junto a dependentes químicos e seus familiares, percebe as semelhanças vividas em brincar na montanha russa com seu trabalho. Portanto, da mesma forma que é recomendado o respeito às normas de segurança no parque de diversão, quando se brinca na montanha russa, cabe ao psicólogo sempre agir dentro dos princípios éticos que regem sua profissão, orientando-se por indicações cientificamente comprovadas. Assim os sustos ocorrerão exclusivamente devido aos efeitos causados pelo brinquedo e não em decorrência ao mau uso do mesmo.

Marcos Antonio Manfredini

Publicado em: Gazeta do TATUAPÉ - ZONA LESTE - 9 a 15 de janeiro de 2011

Marcos A. Manfredini fala à Revista IN

Caminho com volta

Drogas: um mal que atinge toda a família
Data: 20/06/2010

A personagem vivida pela atriz Sandra Bullock no filme “28 dias” não via omo um problema o excesso de bebidas alcoólicas que ingeria. Após dirigir embriagada e bater o carro, em plena festa de casamento de sua irmã, ela percebeu o quanto era dependente do álcool e como sua vida havia tomado um caminho completamente diferente do planejado. Disposta a mudar, aceitou o tratamento de 28 dias em uma clínica, ensinando uma grande lição: a importância de pedir ajuda quando não é possível abandonar o vício sozinho.

Um dia para dizer não
No próximo dia 26, será comemorado o Dia Internacional de Combate às Drogas, data que estimula o debate sobre esse problema que afeta a sociedade. O uso desses tipos de substâncias, capazes de alterar as sensações, é antigo; acredita-se que desde a época dos homens das cavernas era recorrente as suas utilizações. Porém, com o passar dos anos, o número de usuários e a quantidade consumida só apresentam crescimento e a epidemia parece estar longe de ser sanada.

Segundo o psicólogo da Clínica Lema: Vida e Saúde, Marcos Antonio Manfredini, existem três classificações de drogas: as estimulantes como cocaína, nicotina e cafeína; depressoras como o álcool e os calmantes; e deturpadoras como a maconha e o LSD. “No início, o usuário busca o prazer, depois que vicia recorre à droga para não sentir o desprazer”, explica.

Problema mundial
A ONU - Organização das Nações Unidas, afirma que o tráfico movimenta U$ 400 bilhões por ano e se tornou uma ameaça global. O relatório do Departamento Internacional de Controle de Narcóticos da ONU trilhou o mapa da droga e apontou que a maior parte vem da América Central e do Caribe.

Na América do Sul houve uma diminuição do nível de produção, mas a Venezuela se tornou uma grande exportadora, inclusive para o Brasil. De acordo com a Organização, mais de 5% dos estudantes brasileiros do Ensino Médio já fizeram uso de drogas.

Abismo crucial
De acordo com Manfredini, a dependência química ocorre em três esferas. Num primeiro momento, o usuário desenvolve uma tolerância ao consumo, fazendo com que precise aumentar sempre as doses. Após essa fase, seus pensamentos giram em torno da droga ou do desejo de experimentar mais ou até de parar; e por fim, a destruição da vida social.

O vício pode ser estabelecido sob diversos aspectos, dentre eles estão o fator genético e os problemas psicológicos, ambientais e psiquiátricos. “A doença é caracterizada por ser multifatorial, ou seja, dois ou mais destes elementos”, ressalta.

No caso do fator genético, há uma predisposição para o desenvolvimento da doença. No psicológico, o indivíduo cresceu num lugar marcado por brigas ou até sofreu algum abuso. Já no ambiental, ele conviveu num lar em que era comum o uso, enquanto no psiquiátrico, a pessoa tem ou está desenvolvendo uma patologia como a Depressão e procura na droga a solução.

Convívio
O especialista afirma que a participação da família na trajetória é fundamental, aumentando, consideravelmente, as chances de sucesso no tratamento. É preciso ficar atento às mudanças de comportamento de entes queridos e, caso não saiba lidar com a situação, faça como a personagem da história e procure ajuda.

Clínica Lema: Vida e Saúde - R. Pe. Estevão Pernet, 160 - Cj. 408 - F: 2769 5233

Crédito da matéria: Revista IN


 

 

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